Abilio alerta para risco financeiro em 2027
Por Luizão —

Prefeito de Cuiabá recomenda cautela com despesas diante de possíveis quedas nos repasses federais e cita frustração de R$ 100 milhões na capital.
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), alertou que as administrações municipais poderão enfrentar dificuldades financeiras em 2027. Segundo ele, a possibilidade de redução de transferências federais, combinada ao aumento de despesas permanentes, exige cautela na elaboração dos orçamentos.
Em entrevista, o gestor recomendou que prefeitos evitem assumir novos compromissos com base em receitas ainda incertas. Na avaliação de Abilio, a instabilidade econômica e eventuais impactos climáticos também podem pressionar as contas públicas.
Receitas e despesas em Cuiabá
Para ilustrar o cenário, Abilio afirmou que Cuiabá registrou uma frustração de R$ 100 milhões em receitas esperadas do governo federal, enquanto a arrecadação própria aumentou R$ 167 milhões. Conforme os números apresentados pelo prefeito, a diferença de R$ 67 milhões teria sido absorvida, na prática, pelos efeitos do reajuste de 4,5% concedido aos servidores.
O prefeito ressaltou que a elevação da arrecadação própria não garante maior margem financeira quando há queda de repasses e crescimento das despesas obrigatórias. Ele também mencionou os limites para gastos com pessoal previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Planejamento para 2027
Abilio disse que a prefeitura deverá avaliar medidas de contenção para preservar o equilíbrio orçamentário. Questionado sobre possíveis cortes de servidores, afirmou que a preocupação não se restringe à redução de pessoal, mas inclui evitar a ampliação de gastos.
O gestor também citou a possibilidade de efeitos do fenômeno El Niño sobre secas e queimadas, fatores que, em sua avaliação, podem agravar o ambiente econômico. Essas projeções foram apresentadas pelo prefeito e não representam, por si só, confirmação de cortes futuros nos repasses federais.
Ao orientar outros municípios de Mato Grosso e do país, Abilio defendeu planejamento conservador e atenção às despesas permanentes, para que serviços públicos e investimentos não dependam de receitas que possam deixar de entrar nos cofres municipais.