Abilio expulsa seis vereadores de grupo de WhatsApp e justifica corte: 'Não vou passar estratégias da gestão'
Por Luizão —

Prefeito de Cuiabá removeu parlamentares após racha na base e críticas em plenário contra a judicialização do regimento interno da Câmara.
A crise de articulação política entre o Palácio Alencastro e o Poder Legislativo municipal ganhou um novo e inusitado capítulo tecnológico. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) , confirmou ter excluído sumariamente seis vereadores do grupo de WhatsApp intitulado "Vereadores 2025 e Prefeito". A "limpa" virtual ocorreu logo após a turbulenta sessão parlamentar desta quinta-feira (9). Em entrevista à Rádio CBN Cuiabá, o chefe do Executivo municipal minimizou o tom pessoal da medida, tratando o banimento como uma ação estratégica e pragmática de sobrevivência política. “Não é que eu não queira amizade. Ali é um grupo de vereadores da base, e os vereadores que optaram por um caminho divergente não fazem mais parte dela. Então, como vou comunicar estratégias da base a vereadores que estão jogando contra a gente em algumas situações?” , argumentou Abilio. Relação de removidos e o estopim da dissidência na Câmara A lista de parlamentares extirpados do canal direto de comunicação com o prefeito expõe um racha profundo em siglas que davam sustentação ao Alencastro, com destaque para o desmantelamento do bloco do Podemos. Foram removidos os vereadores: Bancada do Podemos: Katiuscia Manteli, Alex Rodrigues, Dra. Mara e Sargento Joelson; Outras Legendas: Eduardo Magalhães (Republicanos) e Michelly Alencar (União Brasil). O estopim para a expulsão foi o posicionamento adotado pelo grupo em plenário. Os seis parlamentares decidiram formalizar apoio à candidatura de Ilde Taques (Podemos) na disputa pela presidência da Câmara Municipal, colidindo frontalmente com os interesses do prefeito, que patrocina a tentativa de reeleição de Paula Calil (PL). Durante a sessão, o bloco dissidente subiu à tribuna para tecer duras críticas contra a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) protocolada pela prefeitura no Tribunal de Justiça (TJ-MT) — medida que tenta derrubar a exigência de maioria qualificada para votações na Casa e que gerou acusações de interferência indevida do Executivo. Porta aberta para novas saídas e postura de 'cautela' Abilio Brunini evitou rotular os antigos aliados de bastidor como novos integrantes da oposição formal, preferindo carimbá-los sob o rótulo de "independentes". Contudo, o gestor deixou claro que o hibridismo político não será tolerado na antessala das decisões do Executivo. “Se estou percebendo que há um grupo de vereadores que formou uma nova composição política, não vou passar as estratégias da gestão para esse grupo. Quando eu tiver que comunicar algo a todos os vereadores, comunicarei a todos” , asseverou. O prefeito encerrou o assunto enviando um recado direto aos demais parlamentares que continuam integrando o chat de mensagens, sinalizando que a permanência exige alinhamento programático estrito. Segundo ele, os vereadores que não se sentirem confortáveis em defender a base governista possuem total liberdade para se retirarem voluntariamente do fórum digital, sem constrangimentos.