Abilio ironiza acusação de 'pedaladas fiscais' e defende legalidade de restos a pagar em Cuiabá

Por Luizão

Abilio ironiza acusação de 'pedaladas fiscais' e defende legalidade de restos a pagar em Cuiabá
Abilio ironiza acusação de 'pedaladas fiscais' e defende legalidade de restos a pagar em Cuiabá

Prefeito classificou falas do ex-secretário de Educação, Amauri Monge, como 'narrativa' e destacou auditoria que barrou suposta irregularidade de R$ 70 milhões em livros didáticos inflados.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), ironizou publicamente as declarações do ex-secretário de Educação do município, Amauri Monge, que acusou a atual gestão de cometer uma suposta "pedalada fiscal" de R$ 100 milhões no decorrer do ano de 2025. Monge, que deixou o comando da pasta no início de abril, levantou a suspeita de remanejamento indevido de verbas da Educação para outra secretaria. Em resposta, Abilio negou qualquer ilicitude e afirmou que os valores questionados tratam-se de procedimentos normais de transição orçamentária.

“É importante dizer que aquilo que eles chamam de pedalada, a gente chama de Lei Orçamentária Anual. E a LOA prevê a gente poder fazer a execução financeira e deixar resto a pagar para o ano seguinte. Às vezes a distorção das falas, ela se dá propositadamente para formar a narrativa”, defendeu o chefe do Executivo municipal, assegurando a transparência e o amparo legal do mecanismo fiscal.

Humor com 'pedal da Semob' e memes de inteligência artificial

Durante coletiva de imprensa, Abilio Brunini utilizou o bom humor para desarmar as críticas da oposição e comentou sobre os memes e montagens criados por opositores políticos que associam sua imagem a bicicletas em alusão ao termo contábil:

Pente-fino barrou gasto de R$ 70 milhões na Educação

Para além das ironias políticas, os bastidores da gestão municipal revelam um severo embate administrativo em torno dos cofres da pasta pedagógica. A prefeitura confirmou que o balanço financeiro consolidado na transição do ciclo de 2025 para 2026 carrega um passivo exato de R$ 36 milhões em restos a pagar indexados estritamente na Educação.

O estopim para o desentendimento com o ex-secretário Amauri Monge ocorreu após a prefeitura instaurar, no dia 28 de janeiro de 2026, uma auditoria interna minuciosa liderada pela Controladoria-Geral do Município com suporte de setores de monitoramento e inteligência. A investigação administrativa conseguiu frustrar uma tentativa de aquisição de materiais e insumos didáticos pela Secretaria Municipal de Educação que teria gerado um prejuízo estimado em R$ 70 milhões aos cofres públicos de Cuiabá.

Entre os principais indícios e distorções técnicas que motivaram o bloqueio preventivo dos contratos estão notas fiscais com valores unitários de livros didáticos fixados em até R$ 800 a unidade, considerados incompatíveis com a realidade do mercado. Também pesam suspeitas de que os conteúdos textuais das apostilas tenham sido gerados e diagramados por meio de ferramentas automatizadas de Inteligência Artificial (IA). Diante da gravidade do cenário, a Prefeitura de Cuiabá encaminhou formalmente o dossiê com as provas colhidas para o Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPE-MT).

https://www.youtube.com/watch?v=masjOiodDiQ