Abilio nega 'geladeira' a vereadores da base que apoiam Ilde Taques na Câmara de Cuiabá

Por Luizão

Abilio nega 'geladeira' a vereadores da base que apoiam Ilde Taques na Câmara de Cuiabá
Abilio nega 'geladeira' a vereadores da base que apoiam Ilde Taques na Câmara de Cuiabá

Prefeito defende abertamente a recondução de Paula Calil à presidência do Legislativo municipal, rebate queixas de governistas e minimiza articulação da oposição.

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) , rechaçou os rumores de bastidores de que estaria promovendo uma espécie de retaliação política contra vereadores de sua própria base aliada. O descontentamento de parte dos parlamentares governistas ganhou força após eles manifestarem apoio à candidatura do vereador Ilde Taques (Podemos) para o comando da Mesa Diretora da Câmara Municipal, contrapondo-se ao plano do Palácio Alencastro de reconduzir a atual presidente, Paula Calil (PL) , ao cargo. Aliados fiéis do prefeito, como Michelly Alencar (União), Katiuscia Mantelli (Podemos), Dra. Mara (Podemos) e Eduardo Magalhães (Republicanos), decidiram marchar com Ilde, queixando-se reservadamente de que suas demandas e emendas estariam enfrentando travas burocráticas nas secretarias municipais. Abilio ironizou as reclamações: “Eu o recebo toda semana. Quase todo dia o Ilde vem falar comigo, conversar comigo, lá na Prefeitura mesmo. Então, se alguém está reclamando, é porque não está indo lá” , rebateu o chefe do Executivo. O Jogo de Xadrez e o Alinhamento com a Oposição Abilio Brunini aproveitou para apontar que o bloco de apoio a Ilde Taques acabou aglutinando parlamentares de oposição ao seu governo, justificando a natural distância administrativa que mantém desses perfis: Afastamento Voluntário: “Alguns dos apoiadores do Ilde são declaradamente da oposição e acabam não indo na Prefeitura. E é a escolha deles. Se o vereador não vai na Prefeitura, não conversa com o secretário, não intermedia as pautas, é difícil para ele ter um posicionamento político desse” , argumentou o prefeito. Jantar dos 14 e Plano B: Apesar de sustentar um discurso de neutralidade institucional, Abilio participou ativamente, nesta segunda-feira (22), de um jantar político estratégico. O encontro selou o voto de 14 vereadores no projeto de reeleição de Paula Calil. No mesmo evento, o grupo fixou o nome do vereador Dilemário Alencar (União) como plano alternativo de consenso. A definição final exigirá intensa articulação de bastidores, uma vez que o grupo liderado pelo prefeito ainda precisa alcançar o quórum qualificado de 18 votos favoráveis para alterar o Regimento Interno da Casa de Leis e viabilizar a recondução consecutiva da atual presidente. 🔎 O que é o Regimento Interno de uma Câmara Municipal? O Regimento Interno é um ato normativo de natureza técnica e jurídica que funciona como a "constituição" da Câmara Municipal. Elaborado e votado pelos próprios vereadores, esse documento disciplina toda a organização administrativa da Casa, estabelece os direitos e deveres dos parlamentares e fixa de forma rígida as regras para o processo legislativo (como tramitam os projetos de lei e emendas). O ponto mais sensível do regimento costuma ser a eleição da Mesa Diretora — órgão colegiado responsável por gerir as finanças, os cargos e, principalmente, definir a pauta de votações (o que vai ou não a plenário). As regras regimentais costumam proibir a reeleição consecutiva de membros para os mesmos cargos da Mesa dentro de uma mesma legislatura, exigindo que o grupo político interessado na continuidade articule emendas de alteração ao texto regimental, o que demanda o voto favorável de uma maioria qualificada de dois terços dos vereadores.