Advogado deixa defesa de Carlinhos após condenação

Por Luizão

Elson Marcelino e Carlinhos Bezerra, em montagem
Elson Marcelino e Carlinhos Bezerra, em montagem

Elson Marcelino confirma saída do caso após sentença de 36 anos; advogada Larice Silva assume defesa na fase de recursos.

O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior deixou a defesa de Carlinhos Bezerra após o réu ser condenado a 36 anos de prisão em regime fechado pelo feminicídio da ex-companheira, Thays Machado, e pelo homicídio do namorado dela, Willian César Moreno. A advogada Larice Silva assumirá o caso na fase de recursos.

Carlos Alberto Gomes Bezerra foi sentenciado pelo Tribunal do Júri de Cuiabá na última sexta-feira (31). A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, proferiu a sentença e negou a Carlinhos o direito de recorrer em liberdade.

Motivo da saída

'Eu tive uma conversa com a advogada que fica nos autos, a Dra. Larice, e por questão processual eu mesmo achei melhor me desligar, e ela continuará com a defesa na fase recursal', disse Elson Marcelino, que concedeu diversas coletivas de imprensa nos dias que antecederam o júri.

O julgamento

O julgamento durou cerca de 12 horas e contou com depoimentos de várias testemunhas. O promotor de Justiça Vinícius Gahyva, responsável pela acusação, classificou o réu como possessivo e ciumento, afirmando que ele via Thays como um objeto, e não como companheira. Segundo a promotoria, motivado por esse sentimento de posse, Carlinhos julgou-se no direito de recorrer à violência para 'tomar de volta' o que acreditava ser sua propriedade.

O Conselho de Sentença reconheceu quatro qualificadoras no feminicídio de Thays, motivo torpe, emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio em contexto de violência doméstica e de gênero, e três no homicídio de Willian, motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A defesa tentou afastar as qualificadoras de perigo comum, motivo torpe e feminicídio, mas os pedidos foram rejeitados pelos jurados.

Tentativas de adiamento

Nas semanas que antecederam o julgamento, a defesa de Carlinhos, formada por Elson Marcelino, Larice Silva e Gabriel Gouvea, tentou ao menos seis manobras para adiar ou modificar as circunstâncias da audiência. Os advogados chegaram a abandonar o júri, que já havia sido remarcado para o dia 21 de julho.

Na sexta-feira, uma ação movida por eles levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a intimar a juíza Mônica Perri a prestar esclarecimentos por suposto cerceamento de defesa.

Relembre o caso

Thays Machado e o namorado dela, Willian César Moreno, foram mortos a tiros na tarde de 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça, em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora, e Willian a acompanhava.

Segundo apurado, Thays namorava Willian havia cerca de um mês quando, na madrugada do crime, foi ao aeroporto buscá-lo. Na ocasião, os dois teriam sido abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma de fogo. Ela chegou a ligar para o 190, mas não procurou a Delegacia da Mulher para formalizar denúncia e pedir medida protetiva. Horas depois, o casal foi assassinado na calçada do edifício.

Carlinhos foi preso horas depois em uma chácara da família e confessou o crime durante interrogatório na Polícia Civil.