Advogado e servidora do TJMT são alvos de operação contra venda de influência judicial

Por Luizão

Advogado e servidora do TJMT são alvos de operação contra venda de influência judicial
Advogado e servidora do TJMT são alvos de operação contra venda de influência judicial

A Operação Falsa Vantagem, deflagrada pela Polícia Civil, investiga cobrança de R$ 150 mil em esquema que prometia anulação de penas criminais na Capital.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), a Operação Falsa Vantagem. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra o advogado Ademir Rosa Gomes e a servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Mhayra Alves Pacheco Abes. Um policial penal, cujo nome ainda não foi formalmente divulgado pelas autoridades, também figura entre os alvos prioritários da investigação.

O Modus Operandi e a Cobrança de R$ 150 Mil

A apuração conduzida pela Polícia Civil aponta para a existência de um grupo estruturado especializado em exercer suposta influência ilícita sobre decisões do Poder Judiciário. O esquema funcionava por meio da captação de familiares de réus em situação de vulnerabilidade jurídica:

Apreensões e Posicionamento Institucional

Durante as diligências, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão domiciliar expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Cuiabá. Agentes apreenderam computadores, documentos e aparelhos celulares. O delegado Marlon Luz, responsável pelo inquérito, destacou que o foco agora reside em realizar perícias nos materiais para mapear há quanto tempo a associação criminosa operava e localizar novas vítimas de extorsão, exploração de prestígio, estelionato e corrupção.

Em posicionamento oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) informou que o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) acompanhou o cumprimento das buscas contra o advogado para assegurar a legalidade dos ritos profissionais. A OAB-MT confirmou o envio do relatório para o Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para abertura de processo administrativo. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso ainda não emitiu nota sobre o caso envolvendo a servidora.

🔎 O que é o crime de Exploração de Prestígio?

Previsto no artigo 357 do Código Penal Brasileiro, o crime de exploração de prestígio consiste no ato de solicitar ou receber dinheiro, bens ou qualquer outra utilidade, sob o pretexto de influir em juiz, jurado, órgão do Ministério Público, perito, intérprete, tradutor ou testemunha. Trata-se de um crime contra a administração da Justiça. A legislação pune a conduta de quem comercializa uma facilidade ou influência que, na maioria das vezes, é fictícia, utilizando o nome e o prestígio das instituições do Judiciário para obter vantagens financeiras ilícitas de terceiros.