Alex Queiroz confessa execução do advogado Renato Nery
Por Luizão —

Caseiro admitiu ter atirado no advogado Renato Nery em Cuiabá, mas isentou os supostos mandantes durante julgamento no Tribunal do Júri.
Os jurados reconheceram Alex Roberto de Queiroz Silva culpado por homicídio qualificado, com as qualificadoras de promessa de recompensa, emprego de recurso que gerou perigo comum, dificuldade de defesa da vítima e idade avançada da vítima. Ele também foi condenado por fraude processual, por tentar ocultar provas, e por organização criminosa.
Alex é o primeiro dos seis denunciados a ser julgado pela morte do advogado e ex-presidente da OAB-MT Renato Nery. O jurista foi morto a tiros no dia 5 de julho de 2024, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá.
A confissão
Durante o julgamento, Alex confessou ter efetuado os disparos, mas isentou os supostos mandantes e os demais investigados. Segundo ele, decidiu cometer o crime por iniciativa própria após ouvir do amigo, o policial militar da Rotam Heron Teixeira Pena Vieira, que iriam pagar R$ 200 mil para matar o advogado.
'Não foi uma coisa contratada como estão falando, meritíssimo. Eu já sou réu confesso, não teria por que mentir. Eu estava muito endividado, sofrendo pressão de agiotas que estavam ameaçando a minha família', afirmou Alex.
Os supostos mandantes
Segundo as investigações, os mandantes do crime seriam os empresários de Primavera do Leste Julinere Bentos Goulart e César Jorge Sechi. A motivação estaria relacionada a uma disputa judicial envolvendo uma área rural avaliada em mais de R$ 30 milhões.
Para viabilizar o homicídio, o casal teria contratado os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira, que teriam organizado a execução e recrutado Alex como atirador.
Depoimento da filha da vítima
Além de Alex, foram ouvidos pelos jurados a filha da vítima, Lívia Nery, e o delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), responsável pelas investigações. Lívia substituiu a irmã Renata, que não prestou depoimento devido a abalo psicológico e emocional.
Lívia relatou ter encontrado o pai caído na entrada do prédio comercial onde ele mantinha o escritório de advocacia, e entregou à Polícia Civil as imagens das câmeras de segurança do edifício. Ela disse ainda ter ficado abalada ao ler, nos autos do processo, relatos de que Alex teria se vangloriado da execução.
'Ele se vangloriou que os tiros espalharam, como se deu tudo certo e como ele era bom', disse Lívia Nery.
Monitoramento antes do crime
O delegado Bruno Abreu afirmou que Alex esteve nas proximidades do escritório de Renato Nery um dia antes do crime para monitorar a rotina da vítima. No dia da execução, ele chegou ao local cerca de uma hora antes dos disparos e permaneceu em um ponto estratégico, numa área em que as câmeras que poderiam identificá-lo estavam quebradas.
'Um dia antes ele monitorou a vítima, parou no mesmo local, mas o senhor Renato não chegou e ele não realizou a execução. No outro dia, dia 5, voltou ao local. A câmera que registraria o momento dos disparos estava quebrada e, pelas investigações, conseguimos demonstrar que o autor tinha ciência disso. Não havia imagem dele atirando, mas, por meio da rota de fuga, ficamos três dias reconstruindo toda a dinâmica do crime', afirmou Bruno Abreu.
Comentários sobre o crime
O promotor de Justiça Rodrigo Domingos perguntou ao delegado se Alex havia confessado a prática criminosa e citou o depoimento de Lívia, no qual ela relatava que o réu teria se gabado de ter acertado Renato Nery. 'Segundo a testemunha, ele comenta, sim, sobre o que ele teria feito, que teria dado certo', respondeu Bruno Abreu.
O delegado afirmou ainda que uma testemunha relatou que Alex se vangloriou da execução durante um churrasco na casa do policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, e que os envolvidos comentavam o crime abertamente entre si. Segundo Bruno Abreu, após a execução, Alex queimou as roupas utilizadas no dia do homicídio na tentativa de eliminar provas.