Analista diz que PF vai deslocar foco da campanha em MT
Por Luizão —

João Edson avalia que Operação Heritage transformará disputa eleitoral em debate sobre corrupção, sem conclusão do caso antes do pleito.
Nunca houve um elemento externo capaz de alterar de forma tão grave uma eleição em Mato Grosso como a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal contra o ex-governador Mauro Mendes (União), seus familiares e aliados. Essa é a leitura do analista político João Edson, que acredita que a investigação vai tirar o foco das discussões estruturais para o campo dos ataques pessoais.
'A gente vai sair de um debate estrutural, das questões estruturantes, as questões sociais, e vai ser uma campanha em cima de quem é mais corrupto, quem é menos corrupto, quem pegou isso, quem pegou aquilo, e sem conclusão de inquérito. Ainda tudo no processo investigativo, tudo no processo da construção processual para um processo de julgamento', afirmou.
'Essa operação interfere diretamente na eleição em Mato Grosso como nunca interferiu até hoje', analisou.
O que apura a investigação
A Operação Heritage foi deflagrada na quinta-feira (6), para cumprimento de ordens judiciais expedidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação da Polícia Federal aponta a existência de uma organização criminosa no governo do estado que teria desviado R$ 308 milhões em um acordo com a empresa de telefonia Oi.
Segundo a apuração, o valor passou por vários fundos de investimento para mascarar as transações e dificultar o rastreio até chegar ao destino final, em fundos ligados a Mauro Mendes e ao deputado federal Fábio Garcia (União). Alguns desses fundos são ligados ao extinto Banco Master, de Daniel Vorcaro, que segue preso por crimes contra o sistema financeiro.
Impacto na campanha
Para João Edson, a investigação abala 'todas as estruturas' da campanha em Mato Grosso, e não apenas o projeto de Mendes ao Senado. Fábio Garcia, considerado figura central no suposto esquema, foi indicado como vice na chapa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição.
'Veja bem, é o início de uma investigação, significa que ela vai começar agora e ela não se conclui antes do final da eleição. Em 60 dias é a eleição e os desdobramentos dela sem a conclusão do caso geram todo tipo de especulação e todo tipo de material dentro da campanha', avalia.
'E essa operação atinge diretamente todo o núcleo do governo e tem influência direta também nos opositores, porque você termina trazendo o debate político para um outro campo', conclui o analista.