Assembleia promulga lei de incentivos fiscais para salvar comércio do Centro Histórico de Cuiabá

Por Luizão

Assembleia promulga lei de incentivos fiscais para salvar comércio do Centro Histórico de Cuiabá
Assembleia promulga lei de incentivos fiscais para salvar comércio do Centro Histórico de Cuiabá

Proposta de Diego Guimarães zera ICMS e corta IPVA de empresas para combater esvaziamento. Isenção de ITCMD tenta destravar inventários de casarões centenários.

O esvaziamento comercial e o avanço da degradação urbana que sufocam o coração de Cuiabá entraram na mira de uma robusta intervenção legislativa. A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promulgou a nova Lei Complementar que institui a Política Estadual Tributária de Incentivo à Revitalização do Comércio dos Centros Históricos . A legislação recorre a uma agressiva renúncia de impostos estaduais para tentar deter a debandada de lojistas e atrair novos investimentos para a Baixada Cuiabana. O perímetro histórico da capital, que outrora concentrou a pujança financeira do município, hoje exibe uma paisagem de casarões em ruínas, calçadões esvaziados e um mar de placas de "aluga-se". "O problema do Centro Histórico é o estado de abandono. Esse abandono começou quando a iniciativa privada saiu dali. O comércio migrou para os bairros, para os shoppings, e o Centro foi ficando para trás" , contextualizou o deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) , autor do projeto de lei. Isenções de ICMS, ITCMD e corte no IPVA A engenharia tributária sancionada pelo Parlamento desenha uma série de vantagens econômicas de grande impacto para as empresas que se comprometerem a fixar ou manter suas operações na zona histórica de Cuiabá: Imposto sobre Consumo: Concessão de isenção integral de ICMS para as operações comerciais varejistas de mercadorias no perímetro delimitado; Frotas Empresariais: Concessão de redução de 50% na alíquota do IPVA para veículos automotores de propriedade das firmas sediadas na região; Sucessão Patrimonial: Isenção do ITCMD sobre a transmissão causa mortis ou doação de imóveis históricos situados no centro. O corte do ITCMD ataca um gargalo jurídico crônico e pouco debatido: o travamento dos inventários familiares de casarões centenários. Dezenas de imóveis permanecem abandonados e sem destinação comercial porque as famílias dos proprietários falecidos evitam abrir o processo sucessório, assustadas com o custo do imposto de herança sobre edificações que perderam valor de mercado. Com o imposto zerado, a lei planeja destravar a regularização desses bens e reinseri-los no mercado imobiliário e de locação. Divergência entre esferas e o clamor de quem resiste nas vitrines Apesar de promulgada e em vigor, a eficácia imediata dos descontos fiscais ainda depende de uma regulamentação técnica por parte do Poder Executivo estadual. Diego Guimarães abriu canais de diálogo com o governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos) , com a meta de pacificar os critérios de adesão e habilitar a concessão dos benefícios a partir do orçamento do próximo ano. O deputado defende que a prefeitura da capital se some ao esforço criando isenções simétricas. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) , contrapôs a cobrança pontuando que o município já opera no limite de seus incentivos, oferecendo isenção de IPTU e aplicando a alíquota mínima constitucional de ISSQN para as empresas do centro histórico. Para Abilio, o nó górdio é financeiro e de transição de mercado: “O que precisamos é de recursos (...) O Centro pode investir mais em gastronomia, cultura, eventos e lazer. O bom uso expulsa o mau uso” , avaliou o prefeito, citando a mudança nos hábitos de consumo frente ao e-commerce. Na linha de frente do calçadão, lojistas tradicionais que resistem há décadas — como os proprietários das lojas Bela e Bonita Boutique, Sidd Make Biju e Marina Calçados — endossam a urgência do pacote fiscal. As entidades de classe, como a Facmat (presidida por Jonas Alves de Souza) e a CDL Cuiabá (liderada por Júnior Macagnam), aplaudiram a iniciativa, mas advertem que a sobrevivência do "shopping a céu aberto" de Cuiabá exigirá, além do alívio nos impostos, investimentos severos em segurança pública, acolhimento de populações em situação de rua e melhoria da acessibilidade e estacionamento.