Botelho cita bastidores e afirma que Wellington Fagundes pode ser retirado da disputa ao Governo
Por Luizão —

Deputado do MDB apontou forte pressão da direção nacional do PL para rifar o senador em prol de aliança com Otaviano Pivetta. Nome de Fagundes enfrenta resistência interna.
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) revelou, nesta quarta-feira (10), que as articulações de bastidores indicam uma forte possibilidade de o senador Wellington Fagundes (PL) ter sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso retirada. Segundo o parlamentar, a definição sobre o rumo da legenda bolsonarista no estado deverá ser centralizada e imposta pela direção nacional do PL. As declarações de Botelho ocorrem em um momento estratégico de pressão política exercida pelo arco de alianças governista. O bloco liderado pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) , que buscará a reeleição, atua ativamente para atrair o PL para a sua chapa majoritária, o que exigiria o recuo do projeto próprio do senador. “O nacional vai acabar influenciando aqui. E pela conversa que tem, pelo menos de bastidores, é muito forte de que pode sim o senador Wellington desistir ou retirarem ele”, disparou Botelho durante coletiva com a imprensa. Ausência de consenso trava aliança com o MDB Indagado sobre as negociações para uma eventual composição proporcional ou majoritária entre o MDB e o PL, Botelho justificou que as conversas formais estão travadas justamente pela falta de garantias em relação ao nome que encabeçará a disputa pelo Palácio Paiaguás. O deputado emedebista ponderou, contudo, que ainda não tratou do tema diretamente com os liberais. “Essas são as conversas de bastidores. Nunca conversei com ele [Wellington], não conversei com ninguém no PL”, pontuou. O próprio Wellington Fagundes já havia admitido publicamente o clima de asfixia política sobre o seu projeto. O senador relembrou que as primeiras tentativas de demover sua candidatura ganharam contornos públicos ainda em abril de 2025, durante um ato nacional da direita que contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro. Racha interno e isolamento político no PL de Mato Grosso A tese de isolamento da pré-candidatura de Wellington ganha musculatura devido à falta de unanimidade e ao posicionamento público de importantes correligionários dentro do próprio Partido Liberal em Mato Grosso: Fogo Amigo: O deputado federal José Medeiros, apontado como o principal nome do PL para disputar o Senado, já manifestou publicamente que Fagundes não deveria insistir na corrida ao Governo do Estado. Neutralidade na Capital: O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, optou pelo distanciamento tático, declarando que manterá neutralidade na disputa majoritária estadual e que o partido estará bem representado tanto com Wellington quanto com Pivetta. Prefeitos com Pivetta: Gestores de grandes colégios eleitorais do estado controlados pelo PL, como a prefeita Flávia Moretti (Várzea Grande) e o prefeito Cláudio Ferreira (Rondonópolis), já externalizaram abertamente simpatia e preferência política pela reeleição de Otaviano Pivetta.