Bussiki rebate ex-secretário e diz que R$ 21 milhões em livros foram pagos em meio a colapso financeiro
Por Luizão —

Secretário de Economia de Cuiabá criticou a priorização de gastos de Amauri Monge em livros supostamente sem serventia. Investigação aponta indícios de apostilas geradas por IA a R$ 800 a unidade.
O secretário de Economia de Cuiabá, Marcelo Bussiki , rebateu publicamente as justificativas apresentadas pelo ex-secretário de Educação, Amauri Monge , a respeito da crise financeira que atinge a pasta pedagógica municipal. A atual gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) já havia confirmado que a Secretaria de Educação acumulava um passivo severo com fornecedores de merenda escolar, insumos de limpeza, transporte e com empreiteiras responsáveis por reformas estruturais nas unidades de ensino. Em entrevista ao programa Notícia de Frente , Bussiki ironizou a postura tardia de Monge ao justificar que a pasta operava sob um cenário caótico de asfixia financeira. "O estranho é que essa afirmação só ocorreu depois de ocorrer todo esse desdobramento. Antes, não tinha nenhuma reclamação”, declarou o chefe das finanças da capital, argumentando que a responsabilidade pela escolha e ordenamento das despesas da folha de pagamento competia exclusivamente ao então titular da Educação. Priorização de repasses e auditoria em contratos de R$ 75 milhões De acordo com o secretário de Economia, mesmo tendo plena ciência do deficit orçamentário crônico para o custeio de serviços essenciais nas escolas, Amauri Monge optou, no mês de janeiro, por priorizar a quitação de R$ 21 milhões destinados à compra de livros didáticos que seriam, supostamente, desprovidos de serventia prática para a rede de ensino. Os novos dados apresentados pela pasta de Economia atualizam o panorama dos contratos sob auditoria: Montante Global: A contratação do material pedagógico foi pulverizada junto a diversas empresas fornecedoras, atingindo um teto global de mais de R$ 75 milhões . Volume Liquidado: Deste montante totalizado no balanço, a Prefeitura de Cuiabá revelou que uma quantia de R$ 43 milhões já foi efetivamente paga aos credores. Pente-Fino e Investigação: O caso foi formalmente denunciado pela prefeitura, motivando a abertura de linhas de investigação integradas pela Controladoria-Geral do Município, pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e pelo Ministério Público do Estado (MPE-MT). Preço inflado de R$ 800 por livro e suspeita de uso de IA Marcelo Bussiki detalhou ainda os indícios técnicos e financeiros que fundamentaram a instauração das auditorias nos lotes adquiridos entre 2025 e 2026. A fiscalização municipal identificou que unidades de livros didáticos foram faturadas por valores abusivos, alcançando a cifra de até R$ 800 por exemplar . Além disso, subsistem suspeitas de que o conteúdo pedagógico e as ilustrações das apostilas tenham sido elaborados de forma automatizada por ferramentas de Inteligência Artificial (IA), sem o devido rigor editorial humano. O secretário também rebateu as acusações feitas por Amauri Monge na Câmara Municipal, onde o ex-gestor havia apontado a prática de uma suposta "pedalada fiscal" decorrente do remanejamento de verbas da Educação para outras secretarias. Bussiki contestou a tese afirmando que as transações mencionadas referem-se estritamente ao mecanismo legal de Restos a Pagar (RAP), largamente chancelado pela contabilidade pública nacional. A equipe econômica do município indicou que a pasta da Educação fechou a transição de 2025 para 2026 carregando um passivo de R$ 36 milhões indexados em restos a pagar.