Corregedor do CNJ arquiva três procedimentos disciplinares contra desembargador afastado do TJ-MT

Por Luizão

Corregedor do CNJ arquiva três procedimentos disciplinares contra desembargador afastado do TJ-MT
Corregedor do CNJ arquiva três procedimentos disciplinares contra desembargador afastado do TJ-MT

Ministro Mauro Campbell Marques rejeitou pedidos de revisão administrativa baseados no caso Roberto Zampieri, apontando a intangibilidade de decisões e duplicidade de apurações.

O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, determinou o arquivamento de três procedimentos disciplinares — entre pedidos de providências e reclamações — instaurados contra o desembargador João Ferreira Filho, membro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT). O magistrado encontra-se formalmente afastado de suas funções jurisdicionais desde agosto de 2024.

As representações arquivadas buscavam anular ou revisar decisões do desembargador sob o argumento de que ele teria atuado de forma parcial. As denúncias baseavam-se no suposto envolvimento do magistrado com o advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em dezembro de 2023 em Cuiabá. O assassinato do causídico resultou na apreensão de seu aparelho celular, cujo espólio de mensagens deflagrou uma ampla investigação sobre a comercialização de provimentos judiciais no estado.

Livre convencimento e vedação à duplicidade investigativa

Ao analisar o mérito das reclamações, o ministro Mauro Campbell Marques rechaçou a utilização do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como instância recursal ordinária para rediscutir matérias de cunho estritamente jurisdicional. O corregedor nacional fixou que o mérito de despachos e acórdãos não pode ser modificado por órgãos correcionais administrativos. “Decisões judiciais, sob o manto do livre convencimento, são intangíveis pela via administrativa, salvo situações excepcionais em que se demonstre a má-fé do membro do Poder Judiciário, o que não se pode inferir pela narrativa apresentada”, sentenciou.

O ministro detalhou os fundamentos para o arquivamento de cada um dos três casos específicos:

Desembargador segue sob o crivo de PAD e da Operação Sisamnes

Apesar dos arquivamentos pontuais proferidos pelo ministro Mauro Campbell, a situação institucional de João Ferreira Filho permanece complexa perante os órgãos de controle. O magistrado continua respondendo a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no plenário do CNJ, instaurado em agosto de 2024, que corre sob estrito segredo de justiça.

Os relatórios investigativos que sustentam o PAD apontam indícios de que o desembargador teria auferido vantagens financeiras indevidas e propinas pagas por empresas que gravitavam no entorno do escritório de Roberto Zampieri. Entre as evidências materiais rastreadas, destaca-se o suposto recebimento de um relógio de luxo da grife suíça Patek Philippe, cujo valor de mercado é estimado em R$ 500 mil. Paralelamente à esfera administrativa, o membro do TJ-MT é investigado criminalmente no âmbito da Operação Sisamnes, ofensiva deflagrada pela Polícia Federal com supervisão direta do Superior Tribunal de Justiça (STJ).