Defensoria Pública da União alega impedimento de Alexandre de Moraes em ação contra Eduardo Bolsonaro

Por Luizão

Defensoria Pública da União alega impedimento de Alexandre de Moraes em ação contra Eduardo Bolsonaro
Defensoria Pública da União alega impedimento de Alexandre de Moraes em ação contra Eduardo Bolsonaro

Órgão aponta que ministro do STF atua simultaneamente como julgador e suposta vítima na denúncia por coação. Defesa técnica também pede a anulação do processo por vício na notificação do ex-parlamentar.

A Defensoria Pública da União (DPU) protocolou uma manifestação formal junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a competência do ministro Alexandre de Moraes para relatar e julgar a ação penal movida contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro . O órgão assumiu a representação processual do político após ele não constituir advogados particulares no prazo legal. A tese central da DPU sustenta que há um claro impedimento na condução do caso, uma vez que Alexandre de Moraes figura como a própria "autoridade apontada como vítima da denúncia" de coação. Segundo a argumentação da Defensoria, a manutenção do magistrado na relatoria compromete de forma irremediável a imparcialidade do processo e invalida qualquer decisão colegiada subsequente. Pedido de anulação por falha na citação internacional Além de suscitar a suspeição do ministro-relator, a Defensoria Pública da União requereu a anulação integral do processo com base em graves vícios de natureza formal e cerceamento de defesa: Notificação Irregular: A DPU aponta que Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Por estar formalmente no exterior, sua citação deveria ter ocorrido obrigatoriamente por meio de carta rogatória, e não via edital, instrumento que, segundo o órgão, contrariou a legislação vigente e "contaminou o processo". Defesa Meramente Formal: O órgão ressaltou que a instrução processual avançou sem a manifestação do acusado, que não compareceu ao interrogatório agendado no STF. A manifestação atual configura uma defesa meramente abstrata, desenhada sem qualquer contato com o assistido, sem a sua versão factual dos acontecimentos e sem suas diretrizes estratégicas. Acusações de lobby por sanções econômicas nos EUA O processo em andamento no STF analisa a conduta política e diplomática de Eduardo Bolsonaro em território americano. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou a denúncia em setembro, logo após a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por envolvimento em uma trama golpista. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a peça acusatória por unanimidade. A acusação detalha que o ex-deputado utilizou entrevistas e pronunciamentos públicos para admitir que articulou ativamente junto a autoridades de Washington a imposição de sanções institucionais e financeiras contra o Brasil. O objetivo do lobby seria desestabilizar a Justiça brasileira e frear o avanço das investigações contra o ex-presidente. Entre as ações listadas pela PGR, destaca-se o empenho de Eduardo para associar um eventual tarifaço americano de 50% sobre produtos brasileiros à figura do STF, apelidando a medida restritiva de "tarifa Moraes", além de pleitear a aplicação da Lei Magnitsky contra o próprio ministro. Garantias constitucionais e ausência de crime No mérito, a Defensoria Pública da União rebateu a capitulação jurídica apresentada pelo Ministério Público Federal. O órgão sustenta que as condutas atribuídas ao réu não preenchem os requisitos legais para configurar o crime de coação. A peça de defesa pondera que o ex-parlamentar brasileiro jamais possuiu poder de mando ou decisão sobre atos soberanos do governo dos Estados Unidos, e que suas manifestações críticas e articulações políticas internacionais encontram-se plenamente resguardadas pelos preceitos constitucionais da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar.