Delegado aponta sentimento de posse e machismo em assassinato de adolescente pelo pai em VG
Por Luizão —

Claudinei da Silva, de 42 anos, esganou a filha de 12 anos após flagrar mensagens dela com um menino no Instagram. Suspeito fugiu sem prestar socorro e foi autuado por feminicídio.
O delegado Nilson Farias, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), apontou o sentimento de posse e a mentalidade machista estrutural como as causas determinantes para o assassinato da adolescente O.B.S.S., de 12 anos . O crime ocorreu no bairro Serra Dourada, em Várzea Grande, e o próprio pai da vítima, Claudinei da Silva , de 42 anos, foi preso em flagrante e indiciado pelo crime de feminicídio. Em análise técnica conduzida após interlocução com especialistas em saúde mental, a autoridade policial detalhou o comportamento do agressor. “Ele via a filha como posse dele. Quando ele viu uma conversa dela com outra pessoa, entendeu que a estava perdendo. No caso da violência doméstica, essa sensação de posse gera agressão na maioria dos casos. O homem se sentir dono da mulher, se sentir dono da filha. Essa mentalidade machista tem que mudar”, asseverou o delegado nesta quarta-feira (10). Discussão por rede social e asfixia mecânica As investigações apontam que o crime ocorreu após pai e filha retornarem de uma confraternização familiar em um clube local, onde o suspeito havia consumido bebidas alcoólicas. Ao chegar na residência, Claudinei confiscou o aparelho celular da menor e acessou suas redes sociais, flagrando mensagens trocadas entre a adolescente e um colega por meio do Instagram. A descoberta iniciou uma ríspida discussão entre ambos. O desfecho do desentendimento deu-se por extrema violência física: Agressão Fatal: No curso da discussão, Claudinei desferiu um golpe de esganadura contra o pescoço da filha de 12 anos, aplicando força contínua até romper vasos sanguíneos nasais da vítima. Omissão de Socorro: Ao notar o sangramento severo e a perda de consciência da menor, o agressor optou por não acionar o serviço médico de urgência. "Ele simplesmente se evadiu do local, pensou na integridade dele, mas não pensou na integridade da filha. Então, ele assumiu essa responsabilidade de causar a morte dela", analisou Nilson Farias. Investigação de abuso e trâmite da prisão A gravidade e a desproporcionalidade da reação do pai diante de uma conduta social rotineira de uma adolescente acenderam alertas na equipe da DHPP. Diante da conduta considerada fora do normal, o delegado Nilson Farias requisitou formalmente a realização de um exame de conjunção carnal no Instituto Médico Legal (IML) para periciar se a vítima sofria outros tipos de abusos no âmbito intrafamiliar. A adolescente foi localizada inconsciente no chão da casa por sua mãe, ex-companheira do suspeito, que havia ido até o imóvel. A mãe prestou socorro imediato e transportou a filha até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Verdão, em Cuiabá, porém a vítima deu entrada na unidade de saúde já sem vida. Enquanto equipes da Politec isolavam a cena do crime para perícia técnica, Claudinei da Silva apresentou-se espontaneamente na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e Vulneráveis de Várzea Grande para tentar mitigar os efeitos da perseguição policial. Contudo, devido à cronologia ininterrupta dos fatos e à gravidade do ato, ele foi transferido para a sede da DHPP, onde o delegado plantonista lavrou o auto de prisão em flagrante por feminicídio, convertendo a detenção em prisão preventiva.