Deputado de SP aciona Ministério Público Eleitoral e pede inelegibilidade de vereador de Cuiabá por termo homofóbico

Por Luizão

Deputado de SP aciona Ministério Público Eleitoral e pede inelegibilidade de vereador de Cuiabá por termo homofóbico
Deputado de SP aciona Ministério Público Eleitoral e pede inelegibilidade de vereador de Cuiabá por termo homofóbico

Guilherme Cortez protocolou representação contra Rafael Ranalli após o parlamentar bolsonarista chamar colega de 'baitola' em sessão. Vereador cuiabano rebate e classifica ação como midiática.

O episódio em que o vereador de Cuiabá, Rafael Ranalli (PL), utilizou um termo de cunho homofóbico para se dirigir ao colega de Parlamento, Daniel Monteiro (Republicanos), converteu-se em um litígio de alcance nacional. O deputado estadual de São Paulo, Guilherme Cortez (PSOL), protocolou uma representação formal junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) exigindo a abertura de uma investigação rigorosa contra o legislador cuiabano por conduta incompatível com os valores constitucionais.

A denúncia foi encaminhada ao órgão fiscalizador após a ampla repercussão de um vídeo gravado durante a sessão plenária do dia 19 de maio. Na ocasião, sem perceber que o seu microfone de lapela permanecia ativado na transmissão oficial, Ranalli disparou contra o colega de bancada: "Valeu, petista. Você não vai embora hoje? Vocês não votaram para ele ir embora. O que ele está fazendo aqui ainda? Vai embora, baitola". Ao notar a captação do áudio, o parlamentar bolsonarista interrompeu a fala abruptamente, mas o registro viralizou nas plataformas digitais.

Gravidade institucional e o pedido de inelegibilidade

Na peça jurídica encaminhada ao Ministério Público Eleitoral, o deputado paulista sustenta que o argumento de informalidade utilizado por Ranalli para tentar se justificar não minimiza o impacto legal e discriminatório da conduta. A peça de acusação elenca os seguintes agravantes:

Defesa alega provocação mútua e critica foco identitário

Diante do avanço do caso, Rafael Ranalli emitiu uma nota oficial de esclarecimento na qual nega teor homofóbico ou intuito de ofensa na declaração. De acordo com o vereador — que também atua como policial federal —, o diálogo ocorreu em um contexto informal de bastidores e de brincadeiras recíprocas entre parlamentares que mantêm convivência harmônica:

O parlamentar do PL ironizou a conduta de Cortez, sugerindo que o deputado paulista deveria canalizar energias e emendas para patrocinar eventos de seu próprio estado, como a Parada LGBT de São Paulo, em vez de interferir na dinâmica interna do Legislativo de Cuiabá. Por fim, Ranalli ressaltou que sua atuação parlamentar é transparente e coerente com as pautas conservadoras de sua base, citando leis de sua autoria aprovadas na capital que restringem procedimentos de transição hormonal em menores e regulam a participação de atletas trans em competições esportivas femininas e o uso de banheiros.