Detalhes e dúvidas sobre a morte de servidor de escola estadual baleado pela PM em Cuiabá

Por Luizão

Detalhes e dúvidas sobre a morte de servidor de escola estadual baleado pela PM em Cuiabá
Detalhes e dúvidas sobre a morte de servidor de escola estadual baleado pela PM em Cuiabá

Valdivino Fidelis, de 58 anos, faleceu após intervenção policial motivada por denúncia de cárcere privado contra sua ex-enteada. A família contesta a versão oficial da Polícia Militar.

O funcionário da Escola Estadual Liceu Cuiabano, Valdivino Almeida Fidelis, de 58 anos, perdeu a vida na última segunda-feira (11) após ser atingido por um tiro disparado por agentes da Polícia Militar (PM) . O episódio aconteceu na residência em que a vítima morava, localizada no Bairro Goiabeiras, na capital mato-grossense. As autoridades de segurança se dirigiram ao local após receberem um chamado apontando que o homem estaria trancado na residência, mantendo a filha de sua ex-companheira, uma jovem de 29 anos, impedida de sair. De acordo com as informações preliminares da PM, ele portava uma arma de fogo e ameaçava cometer suicídio, abalado pelo término do relacionamento com a ex-mulher. Na instituição de ensino onde trabalhava como porteiro, Valdivino era carinhosamente apelidado de "Pai", pois costumava tratar os alunos como "filhos", conforme relatou a escola em um comunicado oficial. Versões divergentes sobre a ocorrência A corporação policial sustenta que os agentes precisaram invadir o domicílio após escutarem clamores por socorro, com o objetivo de garantir a segurança da jovem. Segundo a narrativa da PM, os militares pularam o muro e, ao observarem pela janela, flagraram o homem direcionando a arma para a cabeça da ex-enteada. Em contrapartida, os familiares do servidor rejeitam veementemente essa justificativa. Eles argumentam que Valdivino jamais faria mal a outra pessoa e acusam a força policial de ter agido com força desproporcional. Um registro em vídeo feito dentro do imóvel mostra o homem segurando o armamento e desabafando com a moça, reiterando que tiraria a própria vida naquele dia. Pontos ainda sob investigação Apesar de o caso já estar em evidência, vários elementos seguem sem explicação definitiva: Dinâmica da invasão: O roteiro exato da intervenção e o momento preciso em que a arma foi disparada contra o servidor não foram totalmente detalhados. Ameaça real: A hipótese de que a jovem sofria risco iminente de morte, defendida pela PM, é negada pela família e agora passará por avaliação criteriosa dos investigadores. Protocolo de diálogo: Não foi confirmado se a polícia tentou estabelecer contato ou iniciar um processo de negociação antes de invadir o terreno, prática recomendada em ocorrências envolvendo possíveis reféns. O caso foi repassado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) . O órgão de investigação civil declarou que está trabalhando para esclarecer a dinâmica completa da situação, mas optou por não fornecer atualizações adicionais sobre o andamento do inquérito neste momento.