DHPP investiga denúncia de enteada sobre alteração de cena de crime por PMs após morte de servidor

Por Luizão

DHPP investiga denúncia de enteada sobre alteração de cena de crime por PMs após morte de servidor
DHPP investiga denúncia de enteada sobre alteração de cena de crime por PMs após morte de servidor

Em um depoimento contundente, a familiar da vítima relatou à Polícia Civil que os militares teriam modificado o local do homicídio antes da chegada da perícia, levantando graves suspeitas de fraude processual.

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deparou-se com um desdobramento alarmante durante as oitivas relacionadas à trágica morte de um servidor público no estado de Mato Grosso. Em um depoimento incisivo e carregado de tensão, a enteada da vítima declarou formalmente aos investigadores que policiais militares — os primeiros agentes de segurança a atenderem a ocorrência — teriam alterado deliberadamente a cena do crime instantes antes da chegada das equipes da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). A denúncia gravíssima coloca sob escrutínio a conduta da guarnição e levanta questionamentos profundos sobre a preservação de evidências cruciais para a elucidação do caso. De acordo com os relatos detalhados e anexados ao inquérito, a familiar afirmou que objetos pessoais da vítima e potenciais provas físicas foram reposicionados ou até mesmo retirados de seu local original logo após a constatação do óbito. Essa suposta interferência no ambiente isolado pode configurar crime de fraude processual, uma vez que a inalterabilidade do local de um possível homicídio é uma premissa básica, obrigatória e inegociável do trabalho de isolamento primário. A testemunha ocular sustentou ter presenciado movimentações totalmente atípicas por parte dos militares no recinto, o que a motivou a buscar as autoridades civis de forma imediata para relatar a suposta irregularidade estrutural. Apuração rigorosa e busca por transparência institucional Diante da complexidade e da gravidade das acusações apresentadas, o delegado responsável pelo caso na DHPP determinou a pronta requisição de todos os relatórios de atendimento do Ciosp e a identificação completa dos policiais que compunham a viatura despachada para o endereço no dia do fato. A Polícia Civil passa a atuar em linha direta com a Corregedoria-Geral da Polícia Militar para que as devidas medidas administrativas e disciplinares sejam adotadas em paralelo à densa investigação criminal em curso. Análise técnica e confronto de dados: Os peritos criminais agora terão a árdua e minuciosa tarefa de cruzar os dados técnicos do laudo inicial de local de crime com as declarações prestadas pela enteada, buscando identificar inconsistências materiais que comprovem a manipulação do ambiente. Câmeras corporais e registros de GPS: As autoridades civis já solicitaram o acesso irrestrito às imagens das câmeras acopladas às fardas dos agentes envolvidos, bem como o rastreamento via satélite da viatura, com o objetivo de confrontar a cronologia dos fatos apresentada pela guarnição com a versão da família. "Nós não podemos, sob nenhuma hipótese, admitir qualquer sombra de dúvida sobre a lisura dos procedimentos adotados no isolamento de uma cena de crime. Se ficar comprovado, por meio de laudos e imagens, que houve uma modificação intencional para desviar o foco das investigações ou proteger o autor do delito, os responsáveis responderão com o máximo rigor previsto em lei" , destacou uma fonte ligada ao alto escalão das investigações. A corporação militar, por meio de nota oficial de sua assessoria, informou prontamente que não compactua com desvios de conduta de seu efetivo e que já ordenou a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todas as circunstâncias da denúncia com total transparência.