Empresário pagou R$ 258 mil em boletos de desembargador afastado do TJ-MT, aponta PF

Por Luizão

Empresário pagou R$ 258 mil em boletos de desembargador afastado do TJ-MT, aponta PF
Empresário pagou R$ 258 mil em boletos de desembargador afastado do TJ-MT, aponta PF

Investigação da Operação Gemini aponta o empresário Luciano Cândido Amaral como suposto operador financeiro de Dirceu dos Santos. Transações financeiras entre ambos superam R$ 600 mil.

A Polícia Federal (PF) mapeou indícios contundentes de que o empresário Luciano Cândido Amaral atuava diretamente como operador financeiro do desembargador afastado Dirceu dos Santos, membro do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT). De acordo com o inquérito, o empresário era responsável pelo custeio de despesas pessoais do magistrado e por movimentar volumosos recursos de origem suspeita.

Os detalhes constam na decisão do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que referendou as ordens de busca e apreensão cumpridas na Operação Gemini. A ofensiva policial mira desvendar uma sofisticada rede voltada à comercialização de provimentos jurisdicionais e lavagem de capitais no estado.

Relação societária oculta e quitação de despesas

O monitoramento efetuado pelos agentes federais e cruzado com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou uma simbiose financeira entre o magistrado e o empresário, estendendo-se também aos círculos familiares do membro do TJ-MT. O ministro relator João Otávio de Noronha sublinhou na decisão que ambos mantêm "vínculos societários diretos e indiretos" não declarados formalmente de forma clara.

As transações mapeadas pelo Relatório de Inteligência Financeira (RIF) nº 116128 detalham:

Diante do cenário, o empresário foi incluído no núcleo principal de alvos da operação, dividindo as ordens de busca e apreensão com o próprio Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Castro.

A pista do codinome no celular de Roberto Zampieri

As bases da Operação Gemini encontram lastro probatório no banco de dados extraído do telefone celular do advogado Roberto Zampieri, executado a tiros em dezembro de 2023 no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O espólio telemático do causídico transformou-se no principal vetor de auditoria contra a corrupção no Judiciário mato-grossense.

Ao cruzar a agenda de contatos e os diálogos de Zampieri, os analistas da Polícia Federal identificaram que o empresário Luciano Amaral estava cadastrado sob o codinome “Irmão Gêmeo – DD”. Para o corpo de investigadores da PF, a alcunha cifrada era uma referência direta à proximidade do empresário com o desembargador Dirceu dos Santos (iniciais DD), batizando, por consequência, a própria operação de "Gemini" (gêmeos, em latim).

Afastamento de sigilos e apreensão de arsenal e bens de luxo

No balanço geral, as ordens judiciais expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça miraram o patrimônio de 16 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao suposto esquema de corrupção. Visando rastrear a circulação oculta de capitais, o ministro João Otávio de Noronha chancelou o quebramento integral dos sigilos bancário, fiscal e telemático de todos os envolvidos no processo.

O mandado de busca e apreensão resultou no recolhimento de bens de alto valor agregado e armamento pesado, que passarão por auditoria técnica e balística, incluindo:

A Polícia Federal optou por resguardar e não divulgar os endereços específicos onde cada lote de objetos e armamentos foi localizado para salvaguardar o andamento das investigações e a colheita de depoimentos.