Especialista alerta para os impactos do El Niño e a poluição hídrica nos rios Cuiabá e Coxipó
Por Luizão —

Em entrevista na Assembleia Legislativa, o ecologista Chico Peixe destacou a fragilidade das cabeceiras, defendeu a urgência da educação ambiental e confirmou participação no podcast Boa Tarde MT.
Em entrevista exclusiva concedida diretamente das salas de reportagem da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), o ecologista e especialista em fauna aquática, conhecido regionalmente como Chico Peixe, fez um contundente alerta sobre as ameaças climáticas e antrópicas que recaem sobre os recursos hídricos do estado. O debate central girou em torno das estimativas globais para a chegada de um fenômeno El Niño considerado severo, cujos efeitos tendem a potencializar as mudanças climáticas por meio de anomalias extremas de pluviosidade e secas prolongadas.
Com foco na hidrografia local, o especialista demonstrou profunda preocupação com a bacia do Rio Cuiabá, explicitando uma característica geológica crítica do manancial: a dependência direta dos costões de arenito e conglomerados da Chapada dos Guimarães, que atuam como esponjas naturais de retenção e liberação gradual de água. Chico Peixe relembrou uma expedição de monitoramento realizada ao longo de uma semana em parceria com o deputado estadual Wilson Santos — cobrindo o leito desde a região do Rio Cuiabazinho até a foz do Rio Cuiabá —, oportunidade em que constataram que, embora mais de 90% da vegetação marginal esteja conservada, as áreas limítrofes urbanas enfrentam um cenário crítico.
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Poluição urbana, saneamento e riscos à saúde pública
O ecologista traçou um paralelo histórico e cultural para ilustrar a rápida degradação da qualidade da água na Baixada Cuiabana, citando nominalmente os impactos causados por efluentes sem tratamento lançados a partir de municípios populosos como Várzea Grande. "Eu tive uma fase de vida de beira de rio. Tomava água no rio com a concha da mão. Hoje, se eu fizer isso, vou chegar em casa com dor de barriga, devido a bactérias, vírus e esporos", lamentou, cobrando responsabilidade coletiva sobre o passivo sanitário que atinge o principal receptor da malha hídrica da capital.
As principais ameaças mapeadas pelo especialista concentram-se em dois pontos focais:
- Foz do Rio Coxipó: O ponto de confluência foi classificado como uma zona de caos ambiental devido ao acúmulo de toneladas de resíduos sólidos flutuantes, como garrafas PET, carcaças de geladeiras e máquinas de lavar descartadas irregularmente.
- Segurança Alimentar e Tradição: O Rio Cuiabá foi apontado como a principal rota migratória para os processos reprodutivos das espécies de peixes do Pantanal. O avanço da poluição e o risco de intermitência das águas ameaçam a subsistência e a culinária tradicional cuiabana, baseada em iguarias como a 'mudica de pintado' e a 'ventrecha de pacu'.
Educação ambiental e participação no Boa Tarde MT
Ao concluir o diagnóstico, o pesquisador enfatizou que a resolução do problema do lixo urbano e da degradação de áreas verdes — incluindo a preservação de refúgios ecológicos municipais como o Parque Mãe Bonifácia, o Parque das Águas e o Parque Massairo Okamura — depende essencialmente da reforma comportamental e da educação do cidadão, superando a dependência exclusiva de ações corretivas do poder público.
A agenda socioambiental de Chico Peixe ganhará um novo capítulo na próxima semana. O entrevistado teve sua presença confirmada como convidado central de uma transmissão ao vivo no podcast Boa Tarde MT (citado na gravação como Boa Tarde Mato Grosso). Na bancada do programa, o especialista estenderá o debate técnico sobre sustentabilidade hídrica, conservação de nascentes e o futuro da pesca profissional e amadora nas três principais bacias hidrográficas que cortam o território mato-grossense.