Ex-secretário aponta 'pedalada' e rombo de R$ 1,2 bilhão em Cuiabá
Por Luizão —

Éder Galiciani prestou depoimento à CPI da Câmara Municipal e afirmou que pastas da gestão Emanuel Pinheiro realizavam despesas sem empenho e sem conhecimento do Planejamento.
O ex-secretário de Planejamento e contador-geral de Cuiabá, Éder Galiciani , prestou um depoimento contundente nesta sexta-feira (19) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal. A comissão investiga a contratação e a execução sistemática de despesas sem o devido empenho financeiro durante a administração passada. De acordo com o ex-secretário, o rombo total chega à marca de R$ 1,2 bilhão, dos quais R$ 600 milhões concentram-se exclusivamente na área da Saúde. Ele revelou que a pasta do Planejamento desconhecia a existência real dessas dívidas no período. Prática de Pedaladas por Secretarias Durante a oitiva, Galiciani isentou o chefe do Executivo da época, mas apontou que os titulares de cada pasta agiam à revelia das normas orçamentárias. "Sim, houve pedalada, não pelo chefe do Executivo, mas por cada secretário que fizeram essas despesas sem empenho. Cada Secretaria pedalou da sua forma, porque não tinha orçamento e continuou realizando as despesas" , disparou. As irregularidades fiscais e o tamanho do passivo financeiro só vieram à tona recentemente, após uma auditoria rigorosa promovida pelas equipes da atual administração. "O conhecimento disso se deu já na gestão Abilio, que os secretários começaram a apurar esses valores" , explicou o depoente, referindo-se ao pente-fino realizado nas secretarias após a troca de governo. 🔎 O que é Despesa sem Empenho? No âmbito da administração pública e da Lei de Responsabilidade Fiscal, o empenho é o primeiro estágio da despesa pública. Ele funciona como uma garantia e uma reserva oficial do dinheiro do orçamento para pagar por um serviço contratado ou produto adquirido. Realizar uma "despesa sem empenho" significa que o governo gastou ou assumiu uma dívida com um fornecedor sem ter autorização legal ou saldo disponível em caixa. Essa prática é considerada uma grave infração administrativa e fiscal, frequentemente associada ao termo popular "pedalada fiscal".