Flávia Moretti admite colapso financeiro no DAE de Várzea Grande e apela ao Estado: 'Não tenho dinheiro'

Por Luizão

Flávia Moretti admite colapso financeiro no DAE de Várzea Grande e apela ao Estado: 'Não tenho dinheiro'
Flávia Moretti admite colapso financeiro no DAE de Várzea Grande e apela ao Estado: 'Não tenho dinheiro'

Prefeita entregou raio-X de dívidas e sucateamento da autarquia ao governador Otaviano Pivetta. Pedido ocorre em meio a protestos de moradores e pressão do TCE por intervenção.

A crise crônica de abastecimento de água em Várzea Grande ganhou contornos de urgência fiscal e política. A prefeita do município, Flávia Moretti (PL), admitiu publicamente a incapacidade financeira da prefeitura para injetar recursos no Departamento de Água e Esgoto (DAE) e declarou dependência absoluta do suporte do Governo do Estado para evitar o colapso total do sistema.

A declaração dramática da chefe do Executivo ocorre em uma semana de extrema ebulição social e institucional. Encurralados pela escassez nas torneiras, moradores de bairros periféricos promoveram protestos violentos, queimando pneus e bloqueando avenidas centrais. Paralelamente, o conselheiro Antonio Joaquim, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), subiu o tom da cobrança e reiterou ao Ministério Público Estadual o pedido de judicialização para uma intervenção jurídica imediata na autarquia várzea-grandense.

Dívidas, sucateamento e relatório entregue ao Paiaguás

A engenharia financeira e a malha de distribuição do DAE operam no vermelho e no limite estrutural há anos, colecionando redes de encanamento obsoletas, estações de captação e tratamento de água totalmente defasadas e falhas intermitentes no fluxo de bombeamento. A própria gerência da autarquia atribui o apagão do serviço ao crescimento desordenado da cidade associado a décadas de vácuo de investimentos contínuos.

Para tentar sensibilizar o governo estadual, Flávia Moretti confirmou o envio de um raio-X completo das contas e da engenharia do órgão para a mesa do governador interino Otaviano Pivetta (Republicanos):

Governador vistoria instalações e se diz 'desafiado' por abandono

O apelo de Várzea Grande repercutiu de forma imediata no Palácio Paiaguás. O governador Otaviano Pivetta cumpriu agenda técnica de inspeção presencial nas estações de tratamento e reservatórios do DAE e externou forte descontentamento com o cenário de degradação estrutural encontrado.

Pivetta confessou à imprensa ter ficado "triste" com o diagnóstico visual do órgão, mas pontuou que se sentiu tecnicamente "desafiado" a liderar uma virada de página na infraestrutura de saneamento básico do município. O gestor estadual prometeu formatar e anunciar, em um curto espaço de tempo, um cronograma de ações conjuntas e de fomento emergencial para sanar de forma definitiva a crise de abastecimento da Baixada Cuiabana.

🔎 Qual a diferença jurídica entre a Intervenção e a Concessão de um Serviço Público Municipal?

No Direito Administrativo e Constitucional brasileiro, a intervenção em uma autarquia municipal (como o DAE) e a concessão de um serviço público são institutos totalmente distintos em fins e natureza jurídica. A intervenção é uma medida de caráter excepcional, punitivo ou corretivo. Ela ocorre quando o poder concedente (ou os órgãos de controle) detecta o colapso na prestação do serviço, desvios éticos ou insolvência financeira da autarquia. Sob intervenção, afasta-se a diretoria e nomeia-se um interventor público temporário para reordenar a gestão e garantir a continuidade do serviço essencial, sem alterar a titularidade estatal do órgão. Já a concessão de serviço público é uma escolha político-administrativa de transferência de execução. Por meio de uma licitação na modalidade de concorrência pública, o município delega a uma empresa ou consórcio privado, por prazo determinado (geralmente de 30 anos), a responsabilidade de investir capitais próprios na expansão da infraestrutura, manutenção e operação do sistema de água e esgoto. A concessionária assume os riscos do negócio e se remunera estritamente por meio da cobrança de tarifas dos usuários, sob regulação de uma agência pública fiscalizadora.