Gaeco apura suposta articulação contra Flávia Moretti

Por Luizão —

Investigação do Gaeco apura suspeitas de articulação política na Câmara de Várzea Grande.
Investigação do Gaeco apura suspeitas de articulação política na Câmara de Várzea Grande.

Depoimentos reunidos pelo Gaeco citam Tião da Zaeli e Wanderley Cerqueira em suposta articulação política contra a prefeita de Várzea Grande.

Depoimentos reunidos pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso, citam o empresário e ex-vice-prefeito Sebastião dos Reis Gonçalves, conhecido como Tião da Zaeli, em uma suposta articulação política para viabilizar a cassação da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti.

Segundo informações atribuídas ao procedimento investigatório, a movimentação teria relação com o grupo político do vereador Wanderley Cerqueira e com a disputa pelo comando da Câmara Municipal. Os relatos são objeto de investigação e não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos citados.

Depoimento menciona possível cassação

Em depoimento citado na apuração, o vereador Caio Cezar Cordeiro de Almeida afirmou ter sido procurado por Tião da Zaeli para apoiar a reeleição de Wanderley à presidência do Legislativo municipal.

De acordo com o relato, durante as conversas teria sido mencionada a possibilidade de cassação da prefeita. Essa hipótese, segundo o depoente, poderia abrir caminho para que Wanderley assumisse posteriormente a chefia do Executivo municipal.

Tião da Zaeli foi eleito vice-prefeito na chapa de Moretti, mas renunciou ao cargo em março de 2026 e assumiu posteriormente a presidência da Fecomércio, conforme a reportagem original.

Suspeitas de vantagens indevidas

O mesmo depoimento menciona um encontro na residência da mãe de Wanderley Cerqueira, no qual teria sido apresentada a possibilidade de pagamento em dinheiro em troca de apoio político. Caio Cordeiro declarou ter recusado a suposta proposta.

Os investigadores também apuram relatos de pagamentos mensais de aproximadamente R$ 10 mil por parlamentar, além de possíveis mecanismos de pressão política, como cartas de renúncia assinadas em branco e gravações ocultas. Essas práticas são descritas como suspeitas investigadas, não como fatos judicialmente comprovados.

Medidas de investigação

Conforme a reportagem, o Ministério Público solicitou ao Juízo das Garantias de Cuiabá medidas de busca e apreensão e acesso a dados digitais, incluindo informações de e-mails e serviços de armazenamento em nuvem. O objetivo declarado é reunir documentos e registros que permitam esclarecer as suspeitas de corrupção, extorsão e coação.

A investigação deverá apurar a participação individual de cada pessoa mencionada, assegurados o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência. A reportagem fornecida não apresenta manifestações de Tião da Zaeli, Wanderley Cerqueira ou dos demais citados sobre essas alegações.