Gisela propõe comissão para negociar RGA em MT

Por Luizão —

Gisela Simona defendeu a criação de uma comissão permanente de negociação com os servidores estaduais durante entrevista ao PodOlhar.
Gisela Simona defendeu a criação de uma comissão permanente de negociação com os servidores estaduais durante entrevista ao PodOlhar.

Vice-governadora eleita defende diálogo permanente com servidores sobre RGA e carreiras, mas evita prometer pagamento integral das perdas salariais.

A vice-governadora eleita de Mato Grosso, Gisela Simona (União), defendeu a criação de uma comissão permanente de negociação entre o governo de Otaviano Pivetta (Republicanos) e os servidores públicos estaduais. Em entrevista ao PodOlhar, ela reconheceu dificuldades no diálogo entre categorias e a atual gestão e afirmou que pretende atuar como intermediadora das reivindicações a partir de 2027.

Segundo Gisela, a proposta busca aproximar o Executivo de sindicatos e associações que relatam dificuldades para apresentar suas demandas. Durante a campanha, ela disse ter conversado com representantes de 24 carreiras.

'Eu quero muito que a gente crie uma comissão permanente de negociação com o servidor público', afirmou, ao defender a ampliação do diálogo institucional.

Reivindicações das categorias

Entre os temas que poderão ser discutidos estão a Revisão Geral Anual (RGA), concursos públicos, adicionais de periculosidade, auxílio-alimentação, porte de arma e reestruturação de carreiras.

Gisela também criticou o que considera diferenças de tratamento entre categorias. Segundo ela, algumas carreiras obtiveram benefícios por influência política, enquanto outras permaneceram com salários defasados e equipes insuficientes. A vice-governadora eleita defendeu critérios mais transparentes para avaliar as reivindicações.

RGA depende de avaliação financeira

Questionada sobre perdas acumuladas da RGA, estimadas em 18,38% na discussão apresentada durante a entrevista, Gisela não assumiu compromisso com a recomposição integral. Ela afirmou que uma eventual proposta deverá considerar a capacidade financeira do Estado, os reajustes anuais e os investimentos previstos.

'Há uma vontade da gente poder, sim, negociar a questão da RGA, mas, de novo, tem que ser com muita responsabilidade', declarou.

Ela também avaliou que parcelamentos não deveriam ultrapassar o período do próximo mandato e citou a necessidade de observar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Gisela reconheceu que nem todas as demandas poderão ser atendidas. Como exemplo, mencionou situações em que o governo precisaria definir prioridades entre investimentos, como a conclusão de um hospital, e a concessão de reajustes. Segundo ela, decisões desse tipo devem ser justificadas tecnicamente às categorias.

Relação com os servidores

A vice-governadora eleita contestou críticas à postura de Pivetta em relação ao funcionalismo e afirmou que pretende funcionar como uma ponte entre o governo e os servidores.

'Quando ele convida uma servidora pública para estar como vice, eu acho que isso é mandar um recado para o servidor também, e eu quero muito ser essa ponte', disse.

Gisela reconheceu desgastes entre o governo e entidades sindicais, atribuindo parte dos conflitos a posturas de ambos os lados. Ela também elogiou a atuação de uma federação de entidades representativas dos servidores por apresentar, segundo sua avaliação, reivindicações fundamentadas em estudos técnicos.

A proposta de comissão ainda dependerá de encaminhamentos da próxima gestão. Na entrevista, Gisela não apresentou um calendário para sua criação nem definiu percentuais de reajuste.