Governo avalia corte de juros no Minha Casa, Vida

Por Luizão

Secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, durante conferência do Santander
Secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, durante conferência do Santander

Secretário de Habitação diz que proposta de construtoras para reduzir juros e ampliar faixas do programa ainda está em debate.

A proposta de corte de juros e ampliação do Minha Casa, Minha Vida está sendo alvo de debates intensos dentro do governo federal, mas ainda sem uma definição. 'Teve a proposta apresentada, mas não há uma decisão tomada. Estamos estudando e avaliando dentro do governo os impactos orçamentários e sobre o público', afirmou o secretário nacional de Habitação, Augusto Rabelo, órgão vinculado ao Ministério das Cidades.

A proposta das construtoras

A proposta foi enviada pelas construtoras ao governo federal no fim de junho. Ela consiste em cortar os juros nas faixas 3 e 4 do Minha Casa Minha Vida em 1 ponto percentual, além de elevar a faixa 4 para um público com renda mensal de até R$ 21 mil e imóveis de até R$ 1,2 milhão. Se concretizada, representará a maior expansão do programa habitacional desde sua criação.

'Tudo isso está em consideração. O que posso sinalizar é agora que estamos dialogando', acrescentou Rabelo, lembrando que a política habitacional é uma prioridade para o governo federal.

Desempenho das faixas do programa

O secretário participou de um debate sobre financiamento imobiliário nesta segunda-feira (17), durante a conferência anual do Santander. Na ocasião, citou que todas as faixas do MCMV têm mostrado desempenho considerado satisfatório pelo governo, mas apontou que a faixa 4, para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, ainda pode ser aperfeiçoada.

Essa faixa foi criada no ano passado para atender a classe média e tem subido o número de contratações aos poucos. 'Ela está respondendo, mas é a faixa em que dedicamos um olhar sobre o que mais poderíamos fazer para avançar', comentou.

Um destaque no MCMV, segundo ele, tem sido o avanço da faixa 1, dedicada a famílias com renda de até R$ 3,2 mil, que já representa quase 40% das contratações. 'Para nós, isso é muito positivo, pois é aí que mais se combate o déficit da habitação.'

Crescimento das contratações

O secretário destacou que o governo Lula ampliou de modo significativo as contratações no MCMV. Em 2023, o programa financiou 491 mil unidades, enquanto em 2026 tende a passar de 800 mil. Em paralelo, a destinação de recursos do FGTS para o programa triplicou nesse período. 'O financiamento habitacional no MCMV bate recordes ano atrás de ano', ressaltou, ponderando que o uso do FGTS tem sido feito com cautela para garantir a sustentabilidade do fundo no longo prazo.

Fundo social do pré-sal

Rabelo disse ainda que a destinação de recursos do fundo social do pré-sal para o MCMV foi um marco importante para a política habitacional, com contribuição crescente esperada para o segmento. 'O fundo social do pré-sal nos ajuda a dar confiabilidade na expansão dentro do Minha Casa, Minha Vida', declarou.

O fundo social é abastecido por recursos originados da exploração do pré-sal. Desde o ano passado, parte do seu orçamento foi destinada ao MCMV, com foco na faixa 4, enquanto as demais são atendidas pelo FGTS. Durante o debate, Rabelo disse que há abertura do governo para discutir o uso do fundo social do pré-sal também para as demais faixas do programa.