Grupo de Cuiabá leva Siriri e Rasqueado à Europa
Por Luizão —

Flor de Atalaia embarca com 30 jovens para turnê de 40 dias em Portugal e Espanha, com mais de 40 apresentações até setembro.
O Grupo de Siriri Flor de Atalaia embarca no projeto 'Siriri por Toda Parte, Turnê Internacional 2026', uma das maiores ações de internacionalização da cultura popular mato-grossense.
A delegação conta com 30 jovens, entre músicos, dançarinos e apoio, que viajam neste fim de semana (1º/8) para Portugal e Espanha, consolidando a presença do Siriri, do Cururu e do Rasqueado, entre outras danças brasileiras, nos principais circuitos europeus de cultura popular. Toda a jornada será registrada para a produção de um videodocumentário.
Quem participa
A turnê reúne jovens de 15 a 35 anos, majoritariamente negros e residentes em bairros periféricos de Cuiabá, cujas trajetórias foram transformadas pela cultura popular. Além das apresentações abertas ao público, o grupo desenvolverá oficinas, rodas de conversa, intercâmbios culturais e encontros com artistas, estudantes e comunidades locais.
A circulação internacional de 40 dias representa um marco para o Flor de Atalaia, que leva aos palcos europeus um espetáculo baseado nas expressões afro-indígenas e nas manifestações folclóricas que representam a identidade de Mato Grosso.
Repertório da turnê
O grupo leva no repertório o Siriri, o Cururu e o Rasqueado, além do Samba, do Lundu Marajoara, do Carimbó, da lenda do Boto, do Forró e de danças de matrizes africanas, em mais de 40 apresentações, em seis festivais, até o dia 7 de setembro.
Espetáculo leva o Pantanal à Europa
Entre os momentos mais marcantes está 'O Santo Negro Pantaneiro e o Milagre do Renascimento', encenação que homenageia o Pantanal por meio da figura de Vigilato Canuto e da entrada de Nossa Senhora do Pantanal, com a mensagem 'Salve o Pantanal' estampada no manto da santa.
Também integra o espetáculo o Lundu Marajoara, dança de cortejo que simboliza o encontro amoroso entre homem e mulher, preservando elementos da cultura popular brasileira.
Figurino inspirado nas araras
Os figurinos foram desenvolvidos especialmente para a turnê, com músicas autorais e arranjos inéditos, inspirados nas araras que sobrevoam a sede do grupo, no bairro Parque Atalaia. As saias receberam movimentos que remetem ao voo das aves, enquanto as cores vibrantes representam a força da natureza e da identidade cultural mato-grossense.
A confecção é assinada por Márcia Alves Fábula, do Ateliê de Costura, em parceria com a artista plástica Dayana Trindade. 'A natureza é uma fonte inesgotável de inspiração e a beleza feminina é a brasileira', destaca a artista.
Direção e coreografia
A direção geral é de Vitor Alessandro, presidente da Associação do Grupo de Siriri Flor de Atalaia, com direção artística e musical de Danielle Dias. As coreografias são assinadas por Breno Magalhães e Frank da Silva, e a presidente de honra é Cristina Zuita, responsável por acompanhar a trajetória do grupo desde sua formação.
Cultura da periferia de Cuiabá
'No palco, dançamos mais que uma coreografia: dançamos nossa cultura, história e tradição. Tenho amor profundo pela dança. Minha paixão é dançar o Siriri que é onde minhas raízes encontram minha voz e cada passo conta a história do meu povo', descreve o dançarino Victor Souza.
Mais do que uma circulação artística, a turnê representa uma ação de inclusão social e valorização da juventude periférica do grupo, formado por mais de 90 integrantes, dos quais 30 foram selecionados.
Objetivos do projeto
O projeto busca fortalecer a autoestima dos participantes, ampliar o repertório cultural e profissional e criar redes de cooperação internacional. A expectativa é alcançar mais de 10 mil pessoas entre público presencial e digital.
A turnê é uma realização da Associação Grupo de Siriri Flor de Atalaia em rede com o Instituto INCA (Inclusão, Cidadania e Ação), com investimento da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT).