Grupo Scheffer recebe mais incentivos e doa a Pivetta
Por Luizão —

Benefícios fiscais a empresas da família cresceram de R$ 2,7 milhões para R$ 7,2 milhões desde 2019; parte foi destinada a campanhas.
A participação de empresas ligadas à família Scheffer na política de incentivos fiscais de Mato Grosso cresceu de forma expressiva, passando de R$ 2,7 milhões em 2019 para R$ 7,2 milhões em 2025. Os dados constam no relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre a política de incentivos e isenções tributárias do governo estadual. O valor do ano passado representa quase o triplo do registrado no início da série.
Ao todo, companhias identificadas por CNPJs vinculados ao grupo receberam R$ 28.552.738,10 em benefícios decorrentes de renúncia fiscal no período. Desse montante, cerca de R$ 2,8 milhões, equivalente a 10%, foram destinados por integrantes da família, na forma de doações eleitorais, a projetos políticos ligados ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Doações da família
Conforme registros da plataforma DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), integrantes da família Scheffer distribuíram doações entre partidos e candidatos.
Guilherme Mognon Scheffer destinou R$ 750 mil, sendo R$ 500 mil para a campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e R$ 250 mil para o Podemos do Rio Grande do Sul. Gilliard Antonio Scheffer repassou R$ 500 mil ao diretório estadual do Republicanos em Mato Grosso, enquanto Elizeu Maggi Scheffer destinou R$ 800 mil, sendo R$ 500 mil ao Republicanos-MT e R$ 300 mil à vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris (PL).
Gislayne Rafaela Scheffer e Carolina Mognon Scheffer doaram R$ 500 mil cada ao PSDB-MT, que integra o arco de alianças do titular do Palácio Paiaguás.
Onde estão concentrados os benefícios
A maior parte dos benefícios recebidos pelas empresas vinculadas ao grupo está concentrada na redução da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que respondeu por R$ 20,54 milhões, ou 71,94% do total. Segundo o estudo, esse benefício está associado principalmente a operações com máquinas e implementos agrícolas e a saídas interestaduais de produtos amparadas por convênios do ICMS.
Outros R$ 5,29 milhões, equivalentes a 18,55%, correspondem ao Proalmat, programa de crédito presumido voltado à cadeia do algodão e à agroindústria. Somados, os dois mecanismos representam 90,5% dos benefícios atribuídos ao grupo no período, enquanto isenções responderam por R$ 2,34 milhões, substituição tributária por R$ 372,9 mil e crédito outorgado por R$ 297,65.
Crescimento geral dos incentivos
A política de incentivos adotada pelo Estado também gera questionamentos diante da expansão do volume de benefícios tributários concedidos às empresas, em sua maioria ligadas ao agronegócio. Dados do TCE-MT apontam crescimento de 356% entre 2019 e 2025, com o valor passando de R$ 3,42 bilhões para R$ 15,6 bilhões. No período, a renúncia fiscal total alcançou R$ 65,5 bilhões.