Guia das Eleições: Os ativos e desafios dos pré-candidatos ao Palácio Paiaguás
Por Luizão —

Com a corrida eleitoral ganhando forma, quatro nomes despontam como protagonistas na disputa pelo Governo de Mato Grosso. Confira os pontos fortes e os pontos fracos de cada perfil.
Com a corrida rumo ao Palácio Paiaguás ganhando contornos definitivos, quatro nomes despontam como os principais protagonistas da disputa pelo Governo de Mato Grosso: o atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União Brasil), além da médica e empresária Natasha Slhessarenko (PSD). Diante de um cenário digital complexo, marcado pelo avanço de desinformação, antecipamos os movimentos e os bastidores que desenham o futuro político do estado.
Abaixo, confira os principais ativos e os desafios estratégicos mapeados para a campanha de cada pré-candidato no pleito deste ano:
Otaviano Pivetta (Republicanos) – Governador
- Ativos: Ocupa atualmente o comando do Governo do Estado, o que lhe garante visibilidade institucional e capacidade de apresentar resultados práticos da administração pública. É reconhecido por aliados como um gestor experiente, com trajetória consolidada na máquina pública. Acumula três mandatos como prefeito de Lucas do Rio Verde, município frequentemente citado como referência em indicadores de desenvolvimento. Soma também sete anos de experiência como vice-governador, período em que participou das principais decisões da gestão estadual. Conta com o apoio explícito do ex-governador Mauro Mendes, principal liderança política do grupo governista, e possui boa interlocução com prefeitos e lideranças municipais de diferentes correntes partidárias.
- Desafios: Enfrenta o desafio técnico de converter a aprovação do governo em intenção de voto pessoal. Seu perfil discreto e reservado costuma ser apontado por analistas como um obstáculo para a comunicação de massa durante campanhas eleitorais. Além disso, busca ampliar seu grau de conhecimento na Baixada Cuiabana e na região metropolitana da capital. No aspecto pessoal, já respondeu a um inquérito relacionado à violência doméstica, do qual foi posteriormente absolvido, com o consequente arquivamento do caso.
Wellington Fagundes (PL) – Senador
- Ativos: Possui uma das trajetórias parlamentares mais longevas entre os pré-candidatos, com mais de 35 anos de atuação em Brasília, incluindo seis mandatos como deputado federal e dois como senador. Tem forte identificação com pautas ligadas ao agronegócio e ao fortalecimento dos municípios. Sua militância no PL o conecta diretamente ao eleitorado bolsonarista, segmento expressivo em Mato Grosso, mantendo relação política próxima com lideranças nacionais do campo conservador, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro. É reconhecido pela alta capacidade de articulação política e lidera os principais levantamentos eleitorais divulgados até o momento.
- Desafios: Enfrenta resistência de parte da militância e de lideranças do próprio PL em razão de alianças políticas anteriores consideradas mais próximas de governos de esquerda, o que lhe rendeu a pecha de "melancia". Poucos dos principais prefeitos e lideranças municipais alinhados ao campo conservador demonstram apoio integral à sua candidatura. Nunca exerceu cargo executivo, o que abre espaço para questionamentos sobre sua experiência administrativa, e o longo período de atuação também o expõe ao desgaste natural da vida pública. No campo judicial, figura como réu na Operação Sanguessuga, por suposta participação em esquema de desvio de recursos da saúde entre os anos de 2001 e 2006, quando teria destinado emendas para a compra de ambulâncias superfaturadas.
Jayme Campos (União Brasil) – Senador
- Ativos: É considerado uma das lideranças mais respeitadas da política mato-grossense, mantendo bom trânsito entre diferentes correntes ideológicas. Possui histórico de forte atuação municipalista e é frequentemente citado entre os parlamentares que mais destinam recursos federais aos municípios do interior. Reúne experiência nos principais cargos da política local: foi prefeito de Várzea Grande, governador e senador. Busca ocupar uma posição mais moderada no debate político, afastando-se da polarização nacional, e tem estilo comunicativo popular e linguagem acessível, características que facilitam a conexão com o eleitorado.
- Desafios: Seu principal desafio está dentro do próprio grupo político, já que a Federação formada por União Brasil e Progressistas possui forte influência de aliados de Mauro Mendes, que defendem a candidatura de Otaviano Pivetta. Assim como Wellington Fagundes, carrega o desgaste inerente a uma longa trajetória política. No passado, foi réu em uma ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de peculato, sob a acusação de superfaturamento na compra de equipamentos médicos mediante dispensa de licitação na época em que foi governador. Também respondeu por uma ação de improbidade administrativa por utilizar os meios de comunicação da Prefeitura de Várzea Grande para promoção pessoal, caso que resultou em um acordo recente para encerrar o processo.
Natasha Slhessarenko (PSD) – Médica e Empresária
- Ativos: Surge como a principal aposta do campo progressista para a disputa ao Governo do Estado. É filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, nome conhecido da política mato-grossense, e pode explorar eleitoralmente a condição de outsider em relação aos grupos tradicionais que dominam a política estadual. Sua atuação profissional na área da saúde lhe confere credibilidade para debater um dos temas mais sensíveis para a população. Representa a possibilidade de renovação e de maior participação feminina nos espaços de poder. Com uma eventual vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no plano nacional, poderia contar com maior alinhamento político com o Governo Federal.
- Desafios: Ainda enfrenta dificuldades para transformar sua candidatura em um movimento de maior capilaridade no interior do Estado, e sua campanha apresenta menor mobilização quando comparada aos adversários mais tradicionais. Há avaliações de que seu posicionamento político ainda carece de maior definição entre uma postura de centro ou uma vinculação mais clara ao campo da esquerda. O apoio da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) pode representar um desafio eleitoral em Mato Grosso, estado historicamente mais conservador nas disputas majoritárias. Por fim, não possui experiência eleitoral e administrativa pregressa em comparação aos concorrentes.