Isolado, Caiubi Kuhn retira pré-candidatura ao Governo de MT e sela aliança com Natasha Slhessarenko
Por Luizão —

Professor universitário do PDT recuou de projeto próprio rumo ao Palácio Paiaguás e oficializou apoio à médica do PSD durante o encontro político 'Mato Grosso para Elas' na capital.
O cenário da disputa sucessória ao Palácio Paiaguás sofreu uma baixa e um realinhamento técnico importante neste fim de semana. O professor universitário Caiubi Kuhn (PDT) anunciou oficialmente, neste sábado (4), a retirada de sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso. Isolado internamente na articulação partidária, o pedetista recuou da cabeça de chapa para se converter no mais novo aliado político da médica Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), chancelando apoio ao projeto dela rumo ao comando do Executivo estadual.
O anúncio público do recuo e da fusão de propostas ocorreu em Cuiabá, durante a realização do encontro "Mato Grosso para Elas", painel idealizado pela pré-candidata do PSD para debater políticas de gênero e desenvolvimento regional. “O momento é de construção de uma unidade em torno do nome da Natasha e que vai fortalecer o projeto em busca do melhor para Mato Grosso”, declarou Caiubi, justificando que o pragmatismo eleitoral exige a união de lideranças de centro-esquerda e centro para conferir densidade à oposição.
Discurso de Inclusão e Fortalecimento Feminino
Ao abrir mão da postulação, Caiubi Kuhn enfatizou que o programa programático que vinha desenhando junto ao PDT será incorporado pelas equipes de plano de governo do PSD. O geólogo e acadêmico pontuou que Natasha reúne as credenciais técnicas e a sensibilidade social necessárias para conduzir uma gestão focada no diálogo democrático, na inclusão econômica e na formatação de soluções coletivas para os gargalos de infraestrutura e saúde que acometem o interior do estado.
Dra. Natasha Slhessarenko recebeu o aval partidário e agradeceu o gesto de desprendimento do agora ex-adversário. A médica ressaltou que a edificação de uma terceira via competitiva em Mato Grosso passa obrigatoriamente pela convergência de quadros técnicos que saibam blindar o interesse público acima de vaidades ou divergências partidárias menores:
- Plataforma de Debate: O evento "Mato Grosso para Elas" serviu como caixa de ressonância para congregar lideranças comunitárias, prefeitas, vereadoras e representantes dos movimentos sociais, mapeando demandas prioritárias de segurança e fomento ao empreendedorismo feminino;
- Dinâmica Eleitoral: A adesão do PDT confere ao PSD um reforço de tempo de propaganda de rádio e televisão e capilaridade junto aos sindicatos ligados à educação pública, setor onde Kuhn possui forte trânsito acadêmico.
🔎 O que define o conceito e a validade jurídica de uma Pré-Candidatura no Brasil?
No ordenamento jurídico eleitoral brasileiro (regido pela Lei das Eleições nº 9.504/1997 e por resoluções do Tribunal Superior Eleitoral), a pré-candidatura é a fase que antecede a oficialização dos concorrentes a cargos eletivos. Tecnicamente, qualquer cidadão filiado a um partido político pode se declarar "pré-candidato" e expor publicamente suas ideias, plataformas de atuação e projetos para o estado ou país, sendo vedado de forma absoluta apenas o pedido explícito de voto (configurando propaganda eleitoral antecipada, passível de multa pesada). A validade jurídica de uma candidatura, contudo, só se consolida após as Convenções Partidárias — eventos internos obrigatórios realizados por lei entre 20 de julho e 5 de agosto do ano eleitoral. É na convenção que os filiados votam e decidem quais nomes da sigla serão registrados no sistema da Justiça Eleitoral ou se o partido abrirá mão de candidatura própria para coligar-se e apoiar outra agremiação, como ocorreu no recuo estratégico do PDT em favor do PSD.