Jayme e Pivetta reúnem-se em Cuiabá, mas deixam aliança majoritária para as convenções de 2026
Por Luizão —

Encontro de vizinhos no edifício Royal President termina sem consenso. Pivetta tenta reeditar chapa com União Brasil e PP, enquanto Jayme costura bloco com o MDB.
Os bastidores da sucessão ao Palácio Paiaguás ganharam contornos de intensa articulação no fim de semana. O governador em exercício, Otaviano Pivetta (Republicanos) , e o senador Jayme Campos (União Brasil) , ambos pré-candidatos declarados ao Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026 , protagonizaram uma reunião reservada no último sábado (11). O encontro ecumênico ocorreu nas dependências do edifício Royal President, localizado no bairro Quilombo, em Cuiabá, onde os dois líderes políticos mantêm residência fixa. Apesar da proximidade geográfica e do tom amistoso, a conversa terminou sem a chancela de um acordo formal de aliança. Ambos os players assumiram o compromisso público de estender os canais de negociação ao longo das próximas semanas, empurrando a definição real das chapas majoritárias para o afunilamento do calendário eleitoral. O plano de reedição de Pivetta e a vaga de vice com o PP O movimento político ocorreu um dia após os líderes dividirem palanque na solenidade de abertura oficial da 58ª Expoagro, na capital. A estratégia de Otaviano Pivetta consiste em estruturar uma engenharia de manutenção do poder, reeditando o arco de alianças vitorioso que sustentou as eleições estaduais de 2018 e 2022 sob a batuta de Mauro Mendes (União Brasil). O desenho idealizado pelo Republicanos para consolidar uma frente ampla governista prevê: Cabeça de Chapa: Otaviano Pivetta consolidado como o candidato único do bloco ao Governo do Estado; Casadinha ao Senado: Abertura das duas vagas da chapa majoritária para que o senador Jayme Campos e o governador Mauro Mendes concorram juntos ao Congresso Nacional; Indicação da Vice: Espaço reservado para o Progressistas (PP) — sigla federada nacionalmente com o União Brasil —, tendo como nome de maior recall político a ex-senadora Margareth Buzetti para compor a vaga de vice-governadora. O fator MDB, a articulação de Janaina Riva e o racha no União A composição, contudo, esbarra na irredutibilidade de Jayme Campos, que mantém ativa e estruturada a sua pré-candidatura ao Palácio Paiaguás. O projeto de comando do Executivo liderado pelo cacique do União Brasil vem ganhando tração e capilaridade entre prefeitos do interior e conta com o entusiasmo de uma ala robusta do MDB , partido controlado no estado pela deputada estadual e pré-candidata ao Senado, Janaina Riva . O MDB exige participação direta na chapa majoritária e enxerga em Jayme o condutor natural para isolar o Republicanos. Diante do impasse, o tabuleiro será liquidado de forma fratricida nas instâncias intrapartidárias. Jayme Campos assegura deter o controle interno de 35 dos 50 votos dos delegados filiados com direito a voto na convenção estadual do União Brasil, agendada para o dia 30 de julho , após costura direta com Mendes. Interlocutores do senador revelam que, caso carimbe sua vitória na convenção, Jayme adotará uma postura pragmática, liberando formalmente a ala dissidente do partido que preferir caminhar com Pivetta. Contudo, em caso de revés no voto dos delegados mato-grossenses, o senador varandista já desenhou uma estratégia jurídica de contra-ataque: pretende acionar o Diretório Nacional do União Brasil em Brasília para invocar a cláusula de autonomia e impor a tese de candidatura própria obrigatória em Mato Grosso, arrastando a disputa jurídica até o limite do prazo legal das atas.