Júlio Campos aceita liberar dissidentes do União Brasil para apoiar Pivetta e blinda chapa de Jayme

Por Luizão

Júlio Campos aceita liberar dissidentes do União Brasil para apoiar Pivetta e blinda chapa de Jayme
Júlio Campos aceita liberar dissidentes do União Brasil para apoiar Pivetta e blinda chapa de Jayme

Deputado sinalizou que não exigirá fidelidade partidária de ala ligada a Mauro Mendes. Estratégia visa isolar 'rebeldes' e garantir convenção pacífica para homologar Jayme Campos.

A arrumação das forças governistas para a corrida ao Palácio Paiaguás ganhou uma nova engenharia partidária. O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) sinalizou uma postura pragmática para estancar a crise interna na legenda, afirmando que o partido aceitará liberar os filiados "dissidentes" e "rebeldes" para apoiarem formalmente o projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) , sem a aplicação de sanções. A articulação visa pacificar o ambiente interno e abrir caminho para consolidar a pré-candidatura do seu irmão, o senador Jayme Campos (União Brasil) , ao Governo de Mato Grosso. "Já há um pré-entendimento que, caso esse grupo de possíveis dissidentes da candidatura própria do Jayme Campos queiram apoiar o candidato republicano, o Pivetta, não haveria nenhum problema" , revelou Júlio em pronunciamento na Assembleia Legislativa (ALMT). Pacto com o PP e oposição ao grupo de Mauro Mendes O recado político possui endereço certo: a ala do partido que permanece sob forte influência do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) . Esse grupo rechaça a tese de candidatura própria da sigla para manter o alinhamento preferencial com o Palácio Paiaguás sob o comando de Pivetta. Com a anuência de liberação, Júlio busca neutralizar a resistência interna sem a necessidade de implodir ou desgastar a postulação do irmão antes das convenções oficiais. A engenharia de sobrevivência do plano envolve conversas diretas com partidos satélites: Aval Progressista: Júlio confirmou ter selado um entendimento de bastidor com o presidente do PP, Nilson Leitão. Ficou acordado que, caso o União Brasil confirme o nome de Jayme, a ala aliada dos progressistas respeitará a decisão sem abrir frentes de contestação jurídica; Fio do Bigode: A convenção partidária do União Brasil está chancelada para o dia 30 de julho. Jayme Campos mantém convicção de que será avalizado pelos filiados com direito a voto e aposta no histórico de fidelidade para obter respaldo, inclusive, junto ao Diretório Nacional. 🔎 O que define a Fidelidade Partidária e a Federação entre União Brasil e PP? No ordenamento jurídico eleitoral brasileiro (disciplinado pela Resolução nº 22.610/2007 do TSE e pela Emenda Constitucional nº 111/2021), o princípio da fidelidade partidária estabelece que o mandato obtido em eleições proporcionais (deputados e vereadores) pertence ao partido político, e não ao indivíduo. O parlamentar que migrar de sigla ou atuar de forma frontalmente contrária às diretrizes e fechamentos de questão da legenda sem justa causa corre o risco de perder a cadeira por infidelidade. No entanto, em cargos majoritários (como governador e senador), a jurisprudência é mais flexível, permitindo que o partido "libere" politicamente suas bases para apoiar outras coligações sem aplicar processos de expulsão. Essa dinâmica ganha contornos de alta complexidade técnica quando envolve uma Federação Partidária (instituto que une União Brasil e PP). Como as federações atuam na eleição como se fossem um único partido unificado, a escolha de um candidato ao Governo do Estado exige a homologação consensual e conjunta das duas siglas na convenção, impedindo contratualizações isoladas de palanque na chapa oficial.