Júlio Campos questiona operação do Gaeco em VG
Por Luizão —

Deputado diz ter recebido com surpresa a operação contra vereadores e questiona se o monitoramento de uma chácara por drone teve autorização judicial.
O deputado estadual Júlio Campos (União) questionou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). A investigação apura suspeitas de negociação de apoio político em troca de vantagens indevidas durante a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Em declaração nesta quarta-feira (21), o parlamentar afirmou ter recebido a operação com surpresa e disse desconhecer os elementos que fundamentam a apuração. Ele ponderou que prefere aguardar o avanço das investigações antes de formar uma conclusão.
“Não sei qual o fundamento do Gaeco com relação a essas denúncias que tiveram, porque parece que é compra de voto. Eu não acredito muito nessa história”, declarou.
Investigação sobre eleição da Mesa Diretora
Segundo as informações divulgadas sobre a operação, 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá estão entre os investigados. A apuração abrange uma reunião realizada em uma chácara no Distrito da Guia, organizada pelo então candidato à presidência da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB).
Na disputa, Wanderley recebeu 12 votos, contra 11 de Lucas do Chapéu do Sol (PL). Posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a eleição e determinou uma nova votação.
Júlio Campos também comparou a atuação dos órgãos de investigação nesse caso com denúncias relacionadas à administração da prefeita Flávia Moretti (PL). Segundo o deputado, essas denúncias não teriam recebido o mesmo encaminhamento. A declaração representa uma avaliação do parlamentar, não uma conclusão sobre a atuação das autoridades.
Uso de drone é questionado
Outro ponto levantado pelo deputado foi o uso de drone para monitorar a propriedade rural. Imagens divulgadas pela imprensa mostram a movimentação de veículos e pessoas e a presença de vereadores na área externa da chácara.
“Tinha ordem judicial para isso? Como é que a polícia vai fiscalizar com drone uma reunião?”, questionou Júlio. O material apresentado não esclarece se houve autorização judicial específica para o monitoramento.
O parlamentar argumentou ainda que a presença de vereadores em uma reunião não comprova, isoladamente, a existência de negociação ilícita. Entre os parlamentares de Cuiabá mencionados na investigação estão Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos.
A Operação Cathedra Venalis busca reunir elementos sobre possíveis irregularidades. As suspeitas seguem sujeitas à apuração, e a inclusão de nomes na investigação não representa comprovação de culpa.