Júri sobre morte de Zampieri é adiado para setembro
Por Luizão —

Julgamento em Cuiabá foi interrompido após jurado passar mal com virose; novo Conselho de Sentença julgará os três réus em 29 de setembro.
Após a dissolução do Conselho de Sentença no primeiro julgamento sobre o assassinato do advogado Roberto Zampieri, o juiz José Mauro Nagib Jorge, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, marcou o novo júri para 29 de setembro.
Na ocasião, os réus Antônio Gomes da Silva, o ex-policial Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontados respectivamente como executor, intermediador e financiador do crime, vão enfrentar um novo Conselho de Sentença, e o julgamento recomeçará do zero.
Motivo da interrupção
A sessão no Tribunal do Júri de Cuiabá começou na terça-feira (28) e teria continuidade nesta quarta (29), mas um dos jurados passou mal durante a noite e foi diagnosticado com quadro viral pela equipe médica do TJMT, o que levou o magistrado a dissolver o Conselho para evitar comprometer a saúde dos demais.
Depoimentos da terça-feira
Na sessão de terça, os jurados ouviram testemunhas arroladas pelo Ministério Público e pelas defesas, entre elas os delegados da Polícia Judiciária Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, além do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo. Também depuseram José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.
O delegado Nilson Farias afirmou que o dia 9 de outubro de 2023 marcou o início do plano de assassinato de Zampieri. Segundo ele, o advogado teria solicitado à Justiça a apresentação de provas no processo de disputa pela Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em R$ 100 milhões, e a perícia no celular apreendido do coronel Caçadini revelou uma busca pelo endereço do escritório do advogado no mesmo dia.
José Marcos Marini, amigo da vítima, relatou ter ouvido os disparos e chegado a pensar em perseguir o atirador. 'Eu estava no local no momento do fato e fui o primeiro a abrir a porta do carro. Até tive a intenção de ir atrás de quem atirou, mas não tinha condição e não era uma boa ideia. Eu visualizei, mas como era noite e ele estava de boné e roupa preta, não deu pra ver direito', disse.
Relembre o crime
No dia do homicídio, Roberto Zampieri deixou o escritório onde trabalhava e, ao entrar em seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino, que efetuou cerca de 10 disparos. Imagens de câmeras de segurança da região mostram o atirador com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som dos tiros, fugindo a pé em seguida.
A execução de Zampieri desencadeou uma série de investigações contra um lobista e desembargadores do TJMT, acusados de negociar a venda de sentenças com o advogado. Segundo as apurações, o crime contra Zampieri não tem relação direta com esse esquema, mas foi descoberto a partir da análise do celular do advogado após a execução.