Justiça aceita recurso de Carlinhos Bezerra
Por Luizão —

Defesa terá prazo para apresentar razões de apelação contra condenação a 36 anos por feminicídio e homicídio em Cuiabá.
A Justiça aceitou o recurso apresentado pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, contra a condenação a 36 anos de prisão pelo feminicídio da ex-companheira Thays Machado e pelo assassinato de Willian Moreno, namorado dela. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, também determinou o início provisório do cumprimento da pena e autorizou a entrada de novos advogados na defesa.
Admissão do recurso
Na decisão, a juíza afirmou que o recurso foi apresentado dentro do prazo e atende às exigências formais para seguir em tramitação. A defesa recorreu com base no artigo 593 do Código de Processo Penal, que permite contestar decisões do Tribunal do Júri.
Com a admissão do recurso, foi aberto prazo para que a defesa apresente formalmente as razões da apelação, detalhando os fundamentos para a reforma ou anulação da sentença. Depois, o Ministério Público Estadual e o assistente de acusação serão intimados para apresentar contrarrazões. Concluídas as etapas na primeira instância, os autos serão enviados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso para julgamento pela Câmara Criminal.
Execução provisória da pena
Além de dar seguimento ao recurso, a magistrada atendeu à determinação da sentença condenatória e ordenou a expedição da guia de execução provisória da pena de Carlinhos. Ela também acolheu a procuração dos novos advogados constituídos pelo réu, mantendo regular a atuação dos profissionais que já respondiam por sua defesa. A equipe é composta por Melissa de Oliveira Machado, Elson Marcelino da Silva Junior, Larice Cristina da Silva, Gabriel Gouvea Neno Reiff e Paulo Moisés da Silva Gallo.
O caso
Thays Machado e o namorado dela, William César Moreno, foram mortos a tiros na tarde de 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça, em Cuiabá. Thays estava em frente ao prédio onde a mãe morava, para entregar uma chave, e William a acompanhava.
Segundo apurado, na madrugada daquele dia Thays foi buscar William no aeroporto e os dois foram abordados por Carlinhos, que os ameaçou com uma arma. Ela chegou a ligar para o 190 e foi orientada a procurar a Delegacia da Mulher, mas não formalizou a denúncia nem pediu medida protetiva. Horas depois, por volta das 17h, o casal foi assassinado na calçada do edifício.
Carlinhos foi preso ainda no mesmo dia em uma chácara da família e confessou o crime durante interrogatório na Polícia Civil, atribuindo o desequilíbrio emocional a um quadro de diabetes com neuropatia.