Justiça afasta 22 policiais penais de três presídios de MT por suspeita de tortura contra detentos

Por Luizão

Justiça afasta 22 policiais penais de três presídios de MT por suspeita de tortura contra detentos
Justiça afasta 22 policiais penais de três presídios de MT por suspeita de tortura contra detentos

Decisão do desembargador Orlando Perri atinge agentes das cadeias de Araputanga, Cáceres e Mirassol D’Oeste. Alvos serão transferidos para funções administrativas em outras unidades para preservar investigações.

Por determinação do desembargador Orlando Perri, membro da Turma de Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, 22 policiais penais foram afastados imediatamente de suas funções operacionais nas cadeias públicas de Araputanga, Cáceres e Mirassol D’Oeste. Os servidores públicos são alvos de graves acusações que apontam a prática do crime de tortura e tratamentos degradantes contra cidadãos privados de liberdade sob suas custódias.

A ordem judicial impõe o remanejamento compulsório de todo o grupo para outras unidades do sistema penitenciário estadual, onde deverão exercer, de forma estrita, funções de natureza administrativa, ficando completamente proibido o contato direto ou indireto com a população carcerária. A decisão resguarda o direito à manutenção integral dos vencimentos e subsídios dos servidores durante o transcorrer do processo.

Garantia da instrução processual e risco de coação

O magistrado relator enfatizou o caráter preventivo e urgente da medida restritiva, destacando que a permanência dos agentes públicos nos locais onde os supostos abusos foram perpetrados colocaria em iminente risco a lisura e a eficácia das investigações penais e procedimentos disciplinares.

Relatos de agressões físicas e uso de agentes químicos

Os expedientes investigativos reúnem uma série de condutas abusivas que violam frontalmente os direitos humanos e as convenções internacionais de custódia. Entre os episódios relatados figuram o uso indiscriminado e punitivo de agentes químicos irritantes (como spray de pimenta e gases) no interior de celas fechadas, episódios severos de agressões físicas e espancamentos, a utilização de espaços de triagem como cubículos de castigo degradante, além de represálias e punições coletivas sistemáticas contra os detentos que tentavam formalizar denúncias às ouvidorias. Diante da gravidade, novos inquéritos policiais foram formalmente requisitados à Polícia Civil.

Relação completa dos servidores públicos afastados

Em estrito cumprimento à ordem judicial, o Tribunal detalhou a listagem nominativa de todos os policiais penais afetados pela medida de afastamento tático, distribuídos por suas respectivas lotações originais:

Cadeia Pública de Araputanga

Cadeia Pública de Cáceres (Unidade Masculina)

Cadeia Pública de Mirassol D’Oeste