Legado de Amália Curvo de Campos é resgatado em livro e documentário lançados em Cuiabá

Por Luizão

Legado de Amália Curvo de Campos é resgatado em livro e documentário lançados em Cuiabá
Legado de Amália Curvo de Campos é resgatado em livro e documentário lançados em Cuiabá

Intituladas 'Mulheres nos Bastidores da Política', as obras descortinam a trajetória da matriarca que moldou uma das dinastias políticas mais influentes de Mato Grosso.

A história da Baixada Cuiabana e os bastidores do poder em Mato Grosso ganham um registro documental e literário sem precedentes. Nesta terça-feira (14), às 19h, o histórico Casarão da Família Campos (onde hoje funciona a Nuun Garden, no Centro de Cuiabá) sedia o lançamento simultâneo do livro e do documentário curta-metragem Mulheres nos Bastidores da Política: Amália Curvo de Campos . O evento de resgate histórico, coordenado pelo colunista e jornalista Fernando Baracat, marca a homenagem à matriarca de uma das dinastias familiares mais longevas e influentes da política do Centro-Oeste, cujo clã dita os rumos do estado há mais de sete décadas. A produção literária, estruturada em 160 páginas pela Editora Memória Brasileira, é assinada em coautoria pelos pesquisadores João Carlos Vicente Ferreira e Maria Rita Ferreira Uemura. Paralelamente, o documentário homônimo de 20 minutos conta com a direção do renomado cineasta mato-grossense Luiz Marchetti, que traduziu em imagens o acervo documental e os relatos orais reunidos na pesquisa. Ambas as iniciativas culturais foram viabilizadas através de emendas parlamentares viabilizadas pelo deputado estadual Dr. João (MDB). Da Fazenda Jacundá à enfermagem na Cuiabá dos anos 1940 Longe de se limitar a uma simples compilação genealógica das conquistas dos Campos, o projeto reconstrói com rigor histórico a formação humanitária e a resiliência de Dona Amália. Nascida em 1925 na Fazenda Jacundá, no município de Nossa Senhora do Livramento, ela teve uma infância moldada pelo árduo trabalho na lida rural, alfabetizando-se de forma rápida antes de migrar para a capital. Em Cuiabá, desafiou as barreiras de gênero de uma sociedade patriarcal na década de 1940 ao formar-se como técnica em enfermagem, exercendo a profissão em postos de saúde públicos e concentrando seus esforços na assistência social e na saúde materno-infantil. Em 1944, casou-se com Júlio Domingos de Campos, o popular "Seo" Fiote, fixando residência no então jovem município de Várzea Grande. No balcão da tradicional casa atacadista de Secos e Molhados "A Futurista", propriedade da família, Dona Amália dividia-se entre o comércio e os atendimentos de primeiros socorros à comunidade local. A 'arquitetura do poder invisível' e o clã de governadores A pesquisa detalha como a intensa atuação comunitária e o trânsito social de Dona Amália pavimentaram o ingresso de seu marido na política partidária, auxiliando na articulação do antigo Partido Social Democrático (PSD) local. Quando assumiu o posto de primeira-dama de Várzea Grande na década de 1950, ela institucionalizou as práticas de assistência que já realizava de forma voluntária, sendo a mentora da fundação da Sociedade de Proteção à Maternidade e à Infância e da edificação do primeiro posto de saúde moderno do município, popularmente apelidado de "O Postão". Embora nunca tenha disputado um cargo eletivo nas urnas, Amália Curvo de Campos exerceu o que os biógrafos chamam de "arquitetura do poder invisível", atuando como conselheira política e coordenadora de base. Sob sua influência direta, formaram-se lideranças que alcançaram o topo das instituições mato-grossenses. Ela foi mãe de dois governadores do Estado de Mato Grosso — os atuais caciques políticos Júlio José de Campos e o senador Jayme Veríssimo de Campos —, além de ter gerado o ex-prefeito de Jangada, Benedito Paulo de Campos, e a vereadora Márcia Campos. Dona Amália faleceu em 2021, aos 96 anos, vítima de complicações decorrentes da Covid-19. 🔎 O que é uma Emenda Parlamentar Impositiva e como ela financia projetos de fomento cultural em Mato Grosso? O financiamento do livro e do documentário de Dona Amália por meio de recursos indicados pelo deputado estadual Dr. João ilustra o funcionamento das Emendas Parlamentares Individuais Impositivas no âmbito do processo orçamentário. Previstas na Constituição Federal (Artigo 166) e na Constituição Estadual de Mato Grosso, as emendas impositivas são fatias do orçamento público do Estado (decorrentes da receita corrente líquida) cuja destinação é de escolha exclusiva de cada deputado estadual. Sob as regras vigentes, o Poder Executivo é legal e constitucionalmente obrigado a executar os repasses indicados pelos parlamentares nas leis orçamentárias anuais (LOA), desde que não apresentem impedimentos técnicos. Para viabilizar produções culturais ou de pesquisa histórica, o parlamentar destina o recurso de sua emenda para a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), que por sua vez celebra um termo de fomento, convênio ou parceria com institutos, editoras ou associações sem fins lucrativos (como a Editora Memória Brasileira) para a execução e entrega física do projeto literário e audiovisual contratado.