Livro traz acusação antiga de Pagot contra Wellington
Por Luizão —

Obra de 2013 relata denúncia de ex-diretor do DNIT sobre pressão do senador em favor de empreiteira na BR-163; hoje Pagot está com Pivetta.
A relação do senador Wellington Fagundes (PL) com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), apontada há anos como uma das áreas de influência política do parlamentar em Mato Grosso, é tema de um episódio relatado pelo jornalista Chico de Gois no livro 'Os bens que os políticos fazem', publicado em 2013. A obra registra uma acusação feita pelo então diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, de que Wellington teria pressionado integrantes do órgão em favor da construtora Delta.
Origem da acusação
O episódio ocorreu no contexto de disputas em torno de obras rodoviárias em Mato Grosso e ganhou repercussão nacional em 2012, quando Pagot deu entrevista à revista Época. Segundo o relato reproduzido no livro, Pagot afirmou que Wellington teria pressionado o DNIT para favorecer interesses da Delta Construções, empresa que mantinha contratos com o governo federal.
De acordo com a obra, o episódio estava relacionado à pavimentação da BR-163 em Mato Grosso e à utilização de concreto na execução da obra. Pagot deixou a direção do DNIT em julho de 2012, durante uma crise envolvendo contratos e denúncias no órgão.
Wellington negou a acusação na época, rejeitando ter pressionado o DNIT em favor da Delta e contestando a versão de Pagot. O livro não apresenta a acusação como conclusão judicial, mas como parte das controvérsias em torno da atuação política do senador.
DNIT como espaço de influência
A menção a Pagot aparece em um capítulo mais amplo em que Chico de Gois aborda a influência atribuída a Wellington sobre órgãos federais responsáveis por obras em Mato Grosso. O livro também cita a trajetória de Cinésio de Oliveira, ex-chefe de gabinete do senador que depois assumiu a superintendência do DNIT no Estado, e reproduz acusações do empresário Luiz Antonio Vedoin, ligado ao escândalo da Máfia das Sanguessugas, de que Cinésio receberia propina em nome de Wellington.
Episódio volta ao debate em 2026
O relato ganha novo contexto na atual disputa pelo Governo de Mato Grosso, entre Wellington e o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que tem criticado a influência atribuída ao senador sobre o DNIT em governos anteriores.
A disputa acrescenta uma circunstância particular ao caso: Pagot, autor da denúncia contra Wellington em 2012, atualmente participa da campanha de Pivetta e atua na coordenação política do grupo do governador.
Histórico político revisitado
O livro foi publicado quando Wellington ainda era deputado federal. Desde então, ele foi eleito senador e disputa agora, pela segunda vez, o Governo de Mato Grosso, em eleição na qual seu histórico de atuação em Brasília voltou a ser explorado pelos adversários. Wellington nega as acusações relacionadas à Delta e defende sua atuação na busca por recursos e obras para o Estado.