Lula discursa na ONU com foco em eleições e soberania
Por Luizão —

Em sua décima participação e encerramento de mandato, presidente abre a Assembleia Geral em Nova York defendendo reformas e integridade eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realiza a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 22 de setembro, na sede da entidade em Nova York. Em seu décimo pronunciamento e o último deste mandato, o líder brasileiro levará ao plenário a defesa do multilateralismo e da soberania nacional, a poucos dias da primeira etapa das eleições.
Como prevê o protocolo histórico da entidade, o representante do Brasil é o primeiro a subir à tribuna, sucedido imediatamente pelo chefe do Executivo dos Estados Unidos, Donald Trump.
Tensões externas e integridade do pleito
A apresentação, estimada em 20 minutos, ocorre em meio a preocupações com possíveis influências externas nas votações no Brasil. Em declarações à imprensa estrangeira na véspera, o chefe de Estado citou apreensão quanto à proximidade entre figuras da diplomacia norte-americana, como o secretário de Estado Marco Rubio, e o clã Bolsonaro, além de alertas sobre o uso de inteligência artificial em disputas políticas.
As divergências bilaterais recentes envolveram a recusa do Palácio do Planalto a documentos apresentados por diplomatas de Washington sobre tratamento a opositores locais durante discussões tarifárias, além de acusações da Casa Branca a respeito do combate ao crime organizado no país. A expectativa é que a mensagem na tribuna mundial seja conduzida em tom firme, sem atritos ou nomes diretos.
Reforma do Conselho de Segurança e encontros prévios
O mandatário brasileiro também renovará a cobrança por mudanças estruturais no Conselho de Segurança da ONU, criticando a falta de resolutividade dos membros permanentes frente a conflitos bélicos internacionais:
'O que os líderes estão fazendo? Nada. Eles não estão fazendo nada. Permanecem calados, em silêncio, apenas esperando e observando a confusão se desenrolar'.
O Brasil sustenta a criação de assento permanente para o país e a inclusão de nações do continente africano no colegiado decisório.
Antes da solenidade, o presidente cumpriu compromissos com o mandatário uruguaio Yamandú Orsi, tratando do repasse de cotas de carne bovina para a China, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador Bernie Sanders. A volta ao território nacional está marcada para a tarde desta terça-feira, após reunião com o secretário-geral da ONU, António Guterres.