Lula endurece discurso contra apostas online e afirma que proibiria as 'bets' se fosse 'o dono do Brasil'

Por Luizão

Lula endurece discurso contra apostas online e afirma que proibiria as 'bets' se fosse 'o dono do Brasil'
Lula endurece discurso contra apostas online e afirma que proibiria as 'bets' se fosse 'o dono do Brasil'

Em entrevista à TV Brasil, presidente defende a extinção de plataformas que não prestam utilidade ao país, critica o 'jogo do tigrinho' e revela bastidores sobre o recuo na 'taxa das blusinhas'.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um tom contundente contra o mercado de apostas online e sinalizou que a extinção das plataformas conhecidas como "bets" integrará suas propostas para um eventual plano de campanha de reeleição. Durante entrevista concedida ao programa Sem Censura , da TV Brasil, o chefe do Executivo declarou que sua vontade pessoal seria proibir a atividade no território nacional, justificando que a medida só não foi implementada de forma unilateral por limitações institucionais de seu cargo. "Eu sou favorável a acabar com todas aquelas bets que não estão prestando nenhum serviço de utilidade a esse país. Eu proibiria todas. Por que não proibi? Eu não sou dono do Brasil", afirmou o mandatário, traçando um paralelo de que, assim como Donald Trump não é o dono do mundo, ele não detém o controle absoluto do país, necessitando governar em harmonia com o tripé de instituições que comandam a República. Diferenciação do mercado e planos para regulação de publicidade Apesar do posicionamento rígido, o titular do Planalto ponderou que existe a viabilidade técnica e política de manter uma parcela seleta de empresas operando, desde que comprovem idoneidade e seriedade, reconhecendo a forte dependência financeira que o futebol nacional possui atualmente desse setor: Combate aos Cassinos Virtuais: Lula enfatizou que, embora o mercado de apostas esportivas possa ter uma ou outra empresa funcionando, o governo combaterá de forma intransigente plataformas de jogos de azar eletrônicos, citando nominalmente o chamado "jogo do tigrinho". Controle de Propagandas: O presidente confirmou que pretende desenhar e aplicar uma regulação severa sobre as peças publicitárias veiculadas por essas companhias. A premissa defendida é a de igualdade de condições, sob a tese de que o que é considerado ilegal na vida real também deve ser classificado como ilegal no ambiente virtual. Histórico do setor e o impacto no endividamento As apostas esportivas foram inicialmente legalizadas em solo brasileiro no ano de 2018, sob a gestão do ex-presidente Michel Temer, mas suas regras de tributação e funcionamento só foram de fato estabelecidas em 2023 pela administração do próprio presidente Lula. Recentemente, o governo federal já havia anunciado medidas restritivas voltadas para o mercado preditivo, impondo barreiras a plataformas baseadas em palpites sobre eventos futuros, tais como os resultados de eleições e previsões meteorológicas. O endurecimento do discurso presidencial acompanha dados técnicos que associam a proliferação das apostas digitais ao crescimento expressivo do endividamento das famílias brasileiras. Bastidores sobre a revogação da 'Taxa das Blusinhas' Ainda durante a sabatina na emissora pública, Lula abriu os bastidores econômicos do Palácio do Planalto e comentou o recuo estratégico do governo federal, que zerou a alíquota de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 em e-commerces estrangeiros — medida que havia sido adotada em junho de 2024 e foi revogada após forte repercussão negativa em pesquisas de opinião. O presidente revelou que o ex-ministro da Fazenda e atual pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) , possuía a firme convicção técnica de que o imposto era benéfico para salvaguardar a economia e a indústria nacional, sofrendo também forte pressão de entidades varejistas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Contudo, a equipe econômica acabou sendo convencida do desgaste político junto a uma ampla parcela da sociedade. "O rico, quando ele viaja, pode gastar até US$ 2 mil fora e não paga imposto. O que eu digo? Cinquenta do povo incomoda. Então, houve uma pressão muito grande para acabar com isso", concluiu o presidente.