Lula sinaliza a aliados desejo de reenviar indicação de Jorge Messias ao STF, mas núcleo do governo alerta para o risco de novo revés

Por Luizão

Lula sinaliza a aliados desejo de reenviar indicação de Jorge Messias ao STF, mas núcleo do governo alerta para o risco de novo revés
Lula sinaliza a aliados desejo de reenviar indicação de Jorge Messias ao STF, mas núcleo do governo alerta para o risco de novo revés

O presidente busca reafirmar as prerrogativas do Executivo após a histórica rejeição sofrida no Senado, mas conselheiros políticos e o próprio chefe da AGU adotam postura de extrema cautela diante do clima de hostilidade no Congresso.

O cenário político em Brasília foi chacoalhado por uma nova e ousada movimentação de bastidores vinda diretamente do Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confidenciou a interlocutores e aliados próximos a sua firme intenção de insistir e reenviar ao Senado Federal a indicação de Jorge Messias , atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), para ocupar uma cadeira de ministro no Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia do mandatário fundamenta-se na premissa de que a escolha dos membros da Suprema Corte é uma prerrogativa exclusiva e inalienável do Chefe do Executivo, interpretando o recente veto do parlamento como uma afronta política à sua gestão, e não como uma desqualificação pessoal do jurista. Contudo, o plano acendeu as luzes de emergência em uma ala expressiva do próprio governo, que avalia a iniciativa como um movimento de altíssimo risco, capaz de submeter o Planalto a uma nova e desgastante derrota de proporções imprevisíveis. A profunda preocupação de parte do núcleo político governista está ancorada no peso histórico e no trauma gerado pelo último embate na Casa Iniciadora. No dia 29 de abril deste ano, o plenário do Senado Federal impôs um revés sem precedentes à atual administração ao rejeitar formalmente o nome de Jorge Messias por um placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis. Um episódio de rejeição a um indicado ao STF não era registrado na história da República brasileira há 132 anos — o último caso datava de 1894, durante o governo de Floriano Peixoto. O desfecho desastroso culminou no rompimento definitivo da aliança de Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), amplamente apontado pela base governista como o principal artífice e coordenador dos votos que sepultaram a indicação de Messias. Resistência interna, cautela do indicado e o cabo de guerra no Congresso A viabilidade de submeter o nome de Messias a uma nova sabatina divide opiniões de forma aguda no primeiro escalão. Enquanto o presidente Lula demonstra disposição para o confronto institucional antes mesmo das eleições de outubro, conselheiros políticos ponderam que o ambiente no parlamento permanece amplamente desfavorável e contaminado pela disputa de narrativas. Alerta de desgaste continuado: Ministros e assessores palacianos argumentam que sofrer duas rejeições consecutivas do mesmo nome consolidaria uma imagem de fraqueza crônica na articulação política do governo, fortalecendo a oposição em um momento crucial do calendário legislativo. A postura cautelosa de Messias: O próprio Advogado-Geral da União, que entrou em período de férias regulamentares após o trauma da rejeição e cogitou deixar o governo no calor dos acontecimentos, adota uma postura blindada e conservadora. Interlocutores do jurista asseguram que ele só aceitaria ter seu nome reapresentado caso houvesse uma garantia matemática e inequívoca de aprovação por parte das lideranças partidárias. Articulação da oposição: Paralelamente, blocos de oposição e parlamentares de extração bolsonarista já se articulam junto a Davi Alcolumbre para erguer uma barreira intransponível, tentando obstruir e postergar qualquer nova indicação presidencial ao STF até que o processo eleitoral seja concluído. "O presidente Lula entende que o governo precisa demarcar território e demonstrar que não aceitará ter suas indicações tuteladas pelo Senado. Contudo, a política é feita de pragmatismo; reapresentar o Messias sem repactuar profundamente as bases com o centro e com o próprio Alcolumbre pode significar marchar voluntariamente em direção a um segundo massacre parlamentar" , analisou um influente parlamentar governista em caráter reservado. Apesar da magnitude da crise, Lula sinalizou que não pretende promover uma reforma em sua coordenação política, mantendo o voto de confiança no líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e no ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, apostando na reorganização interna das forças para decidir se estica ou não a corda com o Poder Legislativo nas próximas semanas.