Mato Grosso mobilizará mais de 5,3 mil agentes de segurança para monitorar riscos nas eleições de 2026
Por Luizão —

Logística especial cobrirá 110 locais de difícil acesso e 61 terras indígenas, além do monitoramento rigoroso contra a influência de facções criminosas em candidaturas locais.
A Justiça Eleitoral de Mato Grosso anunciou a mobilização de um efetivo superior a 5,3 mil agentes das forças de segurança pública para atuar em todo o território estadual durante as eleições de 2026. O planejamento tático e operacional das ações será centralizado pelo Gabinete de Gestão Integrada (GGI), estrutura responsável por unificar o monitoramento, as comunicações institucionais e o tempo de resposta a ocorrências ao longo do pleito. A dimensão territorial de Mato Grosso — o terceiro maior estado do país, com 903.357 quilômetros quadrados — impõe desafios logísticos severos às autoridades, em decorrência do isolamento geográfico e das grandes distâncias entre as zonas eleitorais. Para mitigar esses gargalos, a operação contará com a atuação integrada de órgãos como as polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal, além do Exército Brasileiro, da Marinha e de guardas municipais, recebendo o suporte de instituições como a Funai e o Corpo de Bombeiros. Logística especial para terras indígenas e locais isolados O colégio eleitoral mato-grossense está projetado para receber aproximadamente 2,641 milhões de eleitores aptos ao voto, distribuídos em uma malha de 1.529 locais de votação espalhados por todos os 142 municípios. Dentre essas unidades, o planejamento da Justiça Eleitoral acendeu o sinal de alerta para duas categorias específicas que demandam apoio diferenciado: Locais de Difícil Acesso: Foram catalogados 110 pontos de votação situados em regiões remotas, que enfrentam sérios obstáculos de deslocamento e isolamento geográfico. Territórios Indígenas: Há 61 seções eleitorais instaladas dentro de comunidades nativas. Por questões de competência legal e segurança territorial, o ordenamento das urnas nessas áreas ficará a cargo do Exército Brasileiro, da Marinha e da Polícia Federal, com o intuito de blindar o processo de interferências externas. Olhar da Inteligência sobre a influência de facções criminosas Nos perímetros urbanos e rurais tradicionais, a vigilância patrimonial e ostensiva caberá às forças das polícias Militar e Civil. Todavia, os bastidores do planejamento revelam uma preocupação acentuada das autoridades com a tentativa de infiltração do crime organizado na engrenagem política regional. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) monitora o avanço e o comportamento das facções. O superintendente da Abin em Mato Grosso, Luiz Felipe Midon de Melo, enfatizou que o avanço das organizações criminosas sobre o tecido democrático é acompanhado em tempo real por todas as agências integradas. “Nós sabemos que, em alguns locais, as facções criminosas chegam a ocupar territórios, influenciar e até indicar candidatos. É uma preocupação”, sublinhou o chefe do órgão de inteligência. Fatores de risco e exército de 51 mil colaboradores Para além do cinturão policial, a viabilização da votação em Mato Grosso demandará a participação civil de 51.679 pessoas, contingente que engloba 39.429 mesários, técnicos de urna, administradores de prédios públicos, além de 130 magistrados e promotores de Justiça. O mapeamento de riscos desenhado pelo GGI identificou os seguintes fatores de vulnerabilidade no dia da eleição: Aglomerações e Tumultos: Atenção voltada a grandes concentrações de pessoas no entorno dos colégios eleitorais. Corrupção e Abuso Econômico: Fiscalização focada na compra de votos e no transporte irregular de eleitores por lideranças regionais. Boca de Urna: Coibição à propaganda ilegal no dia do pleito. A coordenadora do GGI, juíza Edna Coutinho, explicou que a estratégia prioriza a prevenção e o flagrante imediato das irregularidades para manter a transparência da eleição. Para assegurar essa dinâmica célere, as equipes farão uso de monitoramento aéreo com drones em áreas sensíveis e utilizarão o sistema digital TRE-GUIA, plataforma que permite registrar intercorrências e orientar tomadas de decisão em tempo real diretamente de Cuiabá para qualquer ponto do estado.