Mauro e Janaina lideram, mas disputa segue aberta

Por Luizão —

A cientista política Christiany Fonseca analisa a disputa ao Senado por Mato Grosso
A cientista política Christiany Fonseca analisa a disputa ao Senado por Mato Grosso

Cientista política diz que segundo voto pode mudar cenário do Senado, já que não há transferência automática entre chapas.

A disputa pelas duas vagas de Mato Grosso no Senado já tem, hoje, dois favoritos, mas está longe de estar definida. Essa é a avaliação da cientista política Christiany Fonseca, que aponta o ex-governador Mauro Mendes (União) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB) como os nomes de maior viabilidade eleitoral no momento.

Primeiro e segundo pelotões

Segundo ela, a convergência dos levantamentos de diferentes institutos, entre eles Real Time Big Data e Quaest, coloca Mauro e Janaina em um primeiro grupo, com distância em relação aos demais candidatos. Carlos Fávaro (PSD), José Medeiros (PL) e Pedro Taques (PSB) formam um segundo pelotão competitivo, mas ainda precisam reduzir essa distância.

Para a cientista política, o favoritismo atual não garante o resultado final: seria necessário algum movimento político capaz de reorganizar a atual distribuição de forças para que o cenário mude de forma significativa.

O peso do segundo voto

Christiany chama atenção para uma particularidade da eleição deste ano: cada eleitor pode votar em dois candidatos ao Senado, e é justamente esse segundo voto que torna a disputa mais imprevisível. Segundo ela, o eleitor pode já ter uma preferência consolidada para uma das vagas, mas ainda não ter decidido a segunda escolha, e a disputa tem mostrado que não há transferência automática de votos entre candidatos do mesmo campo político.

Essa dinâmica aparece em todas as chapas: Mauro, líder na maior parte dos levantamentos, não conseguiu transferir apoio para sua parceira de chapa, a suplente Margareth Buzetti (PP). Já Janaina e Medeiros disputam de forma acirrada, a ponto de recorrer à Justiça Eleitoral, enquanto Fávaro e Taques, que romperam politicamente em 2018, mantêm relação distante.

Para a cientista política, essa lógica muda o próprio conceito de favoritismo: um candidato fora da liderança na primeira opção pode ganhar competitividade se tiver baixa rejeição e conseguir atrair eleitores que já têm outro nome como preferência principal.

Desafio para as pesquisas

Christiany avalia que o segundo voto também representa um desafio para a interpretação das pesquisas eleitorais, não porque os levantamentos sejam menos confiáveis, mas porque parte do eleitorado ainda está formando sua segunda preferência no momento da entrevista.

Além da polarização ideológica

A cientista política observa ainda que, embora Mato Grosso tenha mostrado predominância de candidatos de direita e centro-direita nos últimos ciclos, a ideologia isolada não explica a atual disputa ao Senado. Mauro reúne forte inserção no eleitorado de direita, somada ao reconhecimento construído em dois mandatos como governador. Janaina, por sua vez, tem conseguido dialogar com segmentos além de seu campo político tradicional, especialmente em pautas como defesa dos servidores públicos e direitos das mulheres.

Segundo Christiany, fatores como reconhecimento de nome, trajetória política e capacidade de diálogo com diferentes eleitorados pesam tanto quanto a identificação ideológica na atual corrida ao Senado, e a polarização nacional influencia o ambiente sem explicar isoladamente a distribuição das intenções de voto.