MDB adota cautela e aguarda 'guerra' interna do União Brasil para selar rumo rumo ao Paiaguás em MT

Por Luizão

MDB adota cautela e aguarda 'guerra' interna do União Brasil para selar rumo rumo ao Paiaguás em MT
MDB adota cautela e aguarda 'guerra' interna do União Brasil para selar rumo rumo ao Paiaguás em MT

Secretário-geral da sigla, Dr. João de Souza aponta que partido pode atuar como 'fiel da balança' em 2026, mas não descarta liberar correligionários na disputa majoritária.

O xadrez político que desenhará as chapas para o Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026 ganhou um forte componente de expectativa. O secretário-geral do MDB no estado, deputado estadual Dr. João de Souza (mencionado no texto sob o pseudônimo de Dr. João José), confirmou que o partido adotou oficialmente uma postura de cautela e suspendeu o fechamento de qualquer aliança para o Palácio Paiaguás até que o União Brasil decida seu destino na convenção partidária, marcada para o dia 30 de julho . A data é apontada como o divisor de águas do pleito. O União Brasil vive uma disputa interna fratricida: de um lado, o presidente da sigla e ex-governador Mauro Mendes defende o apoio à candidatura à reeleição do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ; do outro, o senador Jayme Campos (União) articula nos bastidores para viabilizar sua candidatura própria ao Executivo. Afinidade com Jayme Campos e pontes com Pivetta e Fagundes Dr. João evitou adiantar o voto do MDB, mas não escondeu sua predileção de bastidor e a proximidade histórica com o clã de Várzea Grande. "Não dá para falar nada, porque você fala hoje e amanhã tudo muda. Dia 30 vai ser importante. Eu, particularmente, tenho uma ligação muito próxima do Jayme Campos. Gosto demais e sempre tive uma relação fantástica com ele. Vamos aguardar" , pontuou. A simpatia por Jayme não é isolada. Recentemente, a presidente regional da legenda, deputada estadual Janaina Riva , revelou que o nome do senador é o que reúne o maior número de defensores e simpatizantes dentro do MDB para um eventual projeto de coligação ao governo. No entanto, o partido mantém canais abertos com as demais forças políticas: Conversas de Cúpula: Dirigentes emedebistas reuniram-se formalmente com Otaviano Pivetta e com o senador Wellington Fagundes (PL) — este último, além de aliado tradicional do partido, é sogro de Janaina Riva; Fiel da Balança: O MDB aposta em sua forte capilaridade de prefeitos e vereadores no interior do estado para ditar o ritmo e o peso da chapa vitoriosa na disputa majoritária. Possibilidade de chapa branca e foco na candidatura de Janaina ao Senado Apesar do flerte com as candidaturas ao Executivo, Dr. João de Souza trouxe à mesa uma alternativa pragmática que vem ganhando força nos diretórios municipais: a hipótese de o MDB não fechar coligação formal com nenhum candidato ao Palácio Paiaguás, liberando seus filiados e prefeitos para apoiarem livremente Pivetta, Jayme ou Fagundes no primeiro turno. A tese da neutralidade na disputa ao governo visa blindar a prioridade máxima da sigla em Mato Grosso: a candidatura de Janaina Riva ao Senado Federal. "Essa candidatura ao Senado é uma candidatura muito forte, consolidada pela deputada Janaina, que está muito bem nas pesquisas. Não necessariamente o MDB precisa de uma candidatura ao governador" , avaliou o secretário-geral. O partido projeta realizar sua convenção apenas no mês de agosto, no limite do prazo legal da Justiça Eleitoral, para colher os frutos do racha ou do consenso dos partidos vizinhos. 🔎 O que é a liberação de filiados (Chapa Branca) e como o Fundo Partidário impacta essa decisão? No jargão político e no Direito Eleitoral brasileiro, a expressão "chapa branca" ou "liberação de bancada" ocorre quando a convenção estadual de um partido decide, por votação majoritária de seus delegados, lançar apenas candidatos a cargos proporcionais (deputados) ou uma candidatura isolada ao Senado, abstendo-se de indicar ou apoiar formalmente um candidato ao Governo do Estado. Juridicamente, essa decisão de neutralidade na chapa majoritária dá liberdade legal para que os prefeitos, vereadores e deputados da sigla apoiem e participem de palanques de candidatos de partidos rivais sem incorrer em infidelidade partidária. Por outro lado, essa escolha envolve uma engenharia financeira complexa ligada ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) . O fundo público de campanha é distribuído nacionalmente às siglas de acordo com o tamanho de suas bancadas no Congresso. Quando um partido abre mão de disputar o governo e opta pela neutralidade, ele pode concentrar 100% de seus recursos e receitas do fundo no financiamento das campanhas de seus deputados e na candidatura única ao Senado — potencializando as chances de eleição de sua candidata principal, Janaina Riva, sem o desgaste financeiro e político de sustentar um palanque ao governo.