MDB adota cautela, rejeita se 'oferecer' ao Paiaguás e aguarda aceno de Pivetta, Wellington e Jayme
Por Luizão —

Deputado Eduardo Botelho ressaltou que partido definirá apoio ao Governo de Mato Grosso em bloco, priorizando a campanha de Janaina Riva ao Senado, e minimizou resistências de Abilio.
A engrenagem das articulações de bastidores para a disputa eleitoral de 4 de outubro ganhou novos contornos pragmáticos. O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) afirmou categoricamente que o partido não tomará a iniciativa de procurar os postulantes ao Palácio Paiaguás, adotando uma postura de recuo estratégico enquanto aguarda ser formalmente convidado para a mesa de negociações. “Não podemos ser oferecidos. Porque tem aquela máxima: oferecido não tem preço. Estamos aguardando e vendo quem vai abrir e nos chamar para conversar” , pontuou o parlamentar. O MDB, que optou por não lançar um nome próprio para concorrer ao Governo de Mato Grosso, possui como meta prioritária absoluta consolidar a pré-candidatura da deputada Janaina Riva (MDB) a uma das duas vagas em disputa para o Senado Federal. Botelho assegurou que qualquer aliança ou coligação majoritária será chancelada de forma estritamente coletiva pela cúpula emedebista e pelo bloco de candidatos a deputado federal e estadual, em total sintonia com Janaina, que já garantiu que não conduzirá entendimentos isolados. Chaveamento de diálogo e o nó tático no União Brasil O arco de possibilidades do MDB é amplo e envolve o diálogo direto com as três principais forças políticas que se desenham no horizonte eleitoral do estado: Bloco Governista (Pivetta/Mendes): Botelho admitiu a viabilidade de composição com o projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) , que conta com o respaldo do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). Contudo, o deputado frisou que o movimento inicial deve partir do atual chefe do Executivo. Ele minimizou, ainda, os atritos históricos entre Mendes e Janaina Riva ocorridos durante a última eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa — hoje presidida por Max Russi (Podemos); A Trincheira de Jayme Campos: O diálogo também passa pelo senador Jayme Campos (União Brasil) , que trava uma severa queda de braço interna contra o grupo de Mauro Mendes para decidir se o União Brasil terá candidatura própria ao governo tendo ele (Jayme) como cabeça de chapa, ou se a sigla se curvará à decisão de Mendes em apoiar Pivetta; A Relação com o PL de Wellington Fagundes: Embora o pré-candidato do PL ao governo, senador Wellington Fagundes , possua laços familiares com Janaina Riva (sendo seu sogro), Botelho informou que ainda não há nenhuma abertura de conversação oficial ou desenho de federação/coligação com os liberais. O alinhamento encontra resistência externa no prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL) , que se posiciona publicamente contra a entrada do MDB na chapa por classificar a sigla como de esquerda devido à sua participação na base de sustentação do Governo Federal. Ao ser questionado sobre os rumores de bastidores que apontavam uma engenharia política desenhada no início do ano pelo megaempresário do agronegócio, Eraí Maggi — que sugeria a indicação de Janaina Riva como vice na chapa de Otaviano Pivetta para pavimentar a reeleição do ministro da Agricultura Carlos Fávaro (PSD) ao Senado —, Botelho foi enfático ao declarar que essa tese nunca foi formalmente apresentada ou debatida nos diretórios do MDB. Caso o partido permaneça isolado nas tratativas majoritárias, a cúpula cogita lançar Janaina ao Senado em uma chapa pura, sem amarração formal a nenhum candidato ao governo. 🔎 O que define a Coligação Majoritária e a Proibição de Coligações Proporcionais? No ordenamento jurídico eleitoral brasileiro (modificado pela Emenda Constitucional nº 97/2017), o sistema de alianças partidárias sofreu uma divisão técnica crucial. As coligações permanecem plenamente autorizadas apenas na Eleição Majoritária (para os cargos de Prefeito, Governador, Senador e Presidente da República). Nesse formato, diferentes partidos políticos podem se unir juridicamente para apoiar uma única chapa ao Executivo ou Senado, somando seus tempos de propaganda em rádio e TV e unificando o teto de gastos. Por outro lado, as coligações foram terminantemente proibidas na Eleição Proporcional (para Vereadores, Deputados Estaduais e Deputados Federais). Desde então, para as vagas de legislativo, cada partido deve lançar sua própria lista isolada de candidatos, e os votos computados vão estritamente para aquela sigla (ou para Federações Partidárias estáveis, que funcionam como um único partido por no mínimo quatro anos), impedindo que o voto dado a um candidato de determinada legenda ajude a eleger um político de ideologia oposta através do quociente eleitoral.