Médico de jovem morta responde a ações na Justiça
Por Luizão —

Cirurgião responsável por procedimento em que jovem morreu em Cuiabá é citado em ações sobre contratos públicos e pedidos de indenização por cirurgias.
O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pelo procedimento durante o qual morreu Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, em Cuiabá, é citado em processos judiciais relacionados a contratos públicos de saúde e a pedidos de indenização por procedimentos estéticos. As informações foram divulgadas pelo portal Olhar Jurídico. A existência das ações não representa condenação, e as alegações ainda dependem de apuração ou julgamento.
Investigação sobre contratos de saúde
Segundo a reportagem, Euller e sua empresa, Gonçalves Preza Serviços Assistência e Saúde, estão entre os investigados na Operação Espelho, deflagrada em 2021 pelas polícias Civil e Federal. A investigação apurou suspeitas de irregularidades em contratos de serviços médicos, com valores estimados em aproximadamente R$ 35 milhões, incluindo contratações durante a pandemia de Covid-19.
O Ministério Público apresentou ação penal envolvendo 22 profissionais, entre médicos, empresários e enfermeiros. Conforme a acusação relatada pelo veículo, o grupo teria participado de ajustes em licitações e da execução parcial ou não realização de serviços contratados. As suspeitas são contestáveis no processo e não constituem comprovação de culpa.
Contrato com a Prefeitura de Chapada
Outra ação, apresentada pelo Ministério Público em 2026, questiona a contratação sem licitação da empresa do médico pela Prefeitura de Chapada dos Guimarães, em 2019, para serviços na unidade de pronto atendimento do município. O contrato teria movimentado R$ 3.293.562,72.
Também figuram na ação, conforme a reportagem, a ex-prefeita Thelma de Oliveira e ex-integrantes da administração municipal. O Ministério Público sustenta que a justificativa de emergência para a contratação não seria adequada, pois a necessidade dos serviços já era previsível. No início de outubro, o juiz responsável permitiu o prosseguimento da ação para a fase de instrução, mas negou pedido de bloqueio imediato de bens da ex-prefeita por insuficiência de elementos para a medida naquele momento.
Pedidos de indenização por cirurgias
O médico também responde, segundo o levantamento publicado, a três ações cíveis movidas por pacientes que alegam danos morais e estéticos após procedimentos cirúrgicos. Os pedidos de indenização somam mais de R$ 450 mil.
Uma paciente pede R$ 214 mil por alegadas complicações após uma rinoplastia realizada em 2015. Outra solicita R$ 150 mil por supostas sequelas de procedimentos feitos a partir de 2016. Na terceira ação, o pedido é de R$ 70 mil, envolvendo questionamentos sobre intervenções estéticas contratadas e o atendimento recebido. Os processos estão em tramitação, e as alegações das autoras não devem ser tratadas como fatos comprovados. Em um dos casos, a Justiça determinou a realização de perícia; em outro, o médico apresentou contestação.
Morte durante cirurgia em Cuiabá
Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha morreu na sexta-feira, 16 de outubro, após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante procedimentos de lipoescultura e colocação de próteses mamárias no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. A equipe tentou reanimá-la por cerca de duas horas, sem sucesso. A jovem era casada e deixou dois filhos.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) informou que apuraria as circunstâncias do atendimento. A Polícia Civil também aguarda resultados de exames periciais para esclarecer a causa da morte e verificar se houve alguma irregularidade. Até a conclusão das apurações, não é possível atribuir responsabilidade pela morte.
Posicionamento da defesa
Em nota, a assessoria jurídica de Euller lamentou a morte e afirmou que o procedimento ocorreu em ambiente hospitalar adequado, com profissionais habilitados e avaliações pré-operatórias. Segundo a defesa, a equipe interrompeu a cirurgia ao identificar uma intercorrência súbita e realizou manobras de reanimação por aproximadamente duas horas.
A defesa declarou ainda que o médico possui mais de 25 anos de atuação e sustentou que sua inscrição no conselho profissional o habilita legalmente à prática de atos médicos. Sobre a confusão registrada após o falecimento, informou que Euller registrou boletim de ocorrência relatando agressão e ameaça de morte. A assessoria afirmou estar à disposição das autoridades e defendeu a preservação do sigilo das informações médicas da paciente.