Moradores se mobilizam para salvar o Rio Água Fria e alertam para risco de desaparecimento

Por Luizão

Moradores se mobilizam para salvar o Rio Água Fria e alertam para risco de desaparecimento
Moradores se mobilizam para salvar o Rio Água Fria e alertam para risco de desaparecimento

Denúncia de morador expõe a redução drástica no volume do manancial que deu origem ao nome do distrito. Comunidade debate ações de reflorestamento e proteção de nascentes.

A situação de vulnerabilidade ecológica enfrentada pelo Rio Água Fria motivou uma mobilização de emergência por parte dos moradores do distrito homônimo. O alerta sobre as condições críticas do manancial chegou ao conhecimento público após uma denúncia formalizada por Roberto Zico, morador do bairro Jardim Vitória, mobilizando lideranças comunitárias e a sociedade civil organizada em torno de uma agenda de preservação socioambiental. O cenário preocupante reuniu moradores e figuras públicas da região, incluindo o ex-vereador Jango Albernaz, além de lideranças como Nelson de Farias, Meraldo Sá e a professora Bruna. O debate central girou em torno de estratégias coordenadas para conter a degradação e proteger o córrego e as nascentes locais que, historicamente, deram origem e nome ao distrito de Água Fria na década de 1930. Valor histórico e o drama da escassez hídrica O resgate da memória local foi um dos pontos altos do encontro, conduzido pelo historiador comunitário Salvador, de 66 anos. O pesquisador relembrou que a denominação da localidade surgiu justamente em função das águas outrora cristalinas e de baixas temperaturas que cortavam a região. “Nasci e me criei aqui. Amo esse lugar, a água daqui é boa e esse córrego nós temos que preservar”, declarou. Contudo, o panorama atual diverge drasticamente dos relatos do século passado, apresentando as seguintes ameaças: Redução do Volume: O recuo no nível do leito do rio é visível a olhos vistos, gerando o temor generalizado de que o manancial se extinga nos próximos anos caso nenhuma medida de contenção seja adotada. Perda de Identidade: Integrantes da mobilização externaram o receio de que o patrimônio natural desapareça, restando apenas registros em livros de que um dia existiu o rio que batizou a localidade. Dependência de Reservas: Diante da escassez crônica, a comunidade tem dependido diretamente de uma represa situada na propriedade rural do morador Sebastião, estrutura que passou a funcionar como peça-chave no auxílio do abastecimento hídrico emergencial da população. Propostas e planos de manejo ambiental Durante as discussões técnicas, a professora Bruna explicou que os olhos-d'água — denominados popularmente pela comunidade como "minas" — estão sob constante monitoramento dos moradores para avaliar o nível de vazão. Diante do diagnóstico de fragilidade das cabeceiras, o comitê local começou a desenhar um plano de metas urgentes. Entre as principais diretrizes apontadas pelos moradores para reverter o quadro estão a implementação imediata de mutirões de reflorestamento das matas ciliares nas margens do leito, o cercamento e a recuperação física das áreas degradadas ao redor das nascentes, e a criação de campanhas contínuas de educação e conscientização ambiental. A comunidade agora busca atrair a atenção do poder público e de órgãos de fiscalização ambiental para somar forças institucionais em defesa do Rio Água Fria.