MPF investiga desmatamento de 163 hectares no Cerrado

Por Luizão

MPF apura desmatamento ilegal em assentamento de Ribeirão Cascalheira
MPF apura desmatamento ilegal em assentamento de Ribeirão Cascalheira

Inquérito civil apura destruição de vegetação nativa em lotes de assentamento em Ribeirão Cascalheira, com base em laudos técnicos.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil no dia 24 de agosto para apurar a responsabilidade pelo desmatamento ilegal de 163 hectares de vegetação nativa do Cerrado. A área destruída corresponde aos lotes 166, 167 e 168 do Projeto de Assentamento Macife I, localizado no município de Ribeirão Cascalheira, em Mato Grosso. A investigação, oficializada pela Portaria nº 17, tem o objetivo de apurar a responsabilidade civil por danos ambientais causados à região.

Origem da investigação

O caso teve início a partir de uma Notícia de Fato. O procurador da República Guilherme Fernandes Ferreira Tavares determinou a abertura das investigações com base em provas obtidas por órgãos de fiscalização e relatórios técnicos. Entre os documentos que justificam o procedimento estão o Auto de Infração Sema nº 7641001725, o Auto de Inspeção nº 7641001625, o Termo de Embargo nº 7641001825, o Relatório Técnico nº 0000020667/2025 e o Relatório Técnico nº 147/2026.

Os laudos técnicos comprovam que houve corte raso da floresta nativa, prática que consiste na derrubada completa de todas as árvores e plantas de uma determinada área.

Responsabilidade em três esferas

Do ponto de vista jurídico, a punição por crimes ecológicos ocorre de forma independente em diferentes frentes. A legislação determina a chamada tríplice responsabilidade, permitindo que os acusados respondam simultaneamente nas esferas administrativa, civil e criminal. No campo civil, a responsabilidade é objetiva e solidária, o que significa que o dever de reparar o ecossistema degradado não depende da comprovação de culpa, e que todos os envolvidos na ação ou omissão podem ser cobrados juntos pelo prejuízo.

Próximos passos

Como próximos passos, a portaria determina o registro da investigação no sistema eletrônico da instituição e a comunicação do caso à 4ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. Além disso, a assessoria jurídica do órgão foi acionada para dar continuidade à coleta de provas e à instrução do inquérito.