Natasha minimiza elo com Lula em MT, prega diferenciação de extremos e foca em gargalos da saúde

Por Luizão

Natasha minimiza elo com Lula em MT, prega diferenciação de extremos e foca em gargalos da saúde
Natasha minimiza elo com Lula em MT, prega diferenciação de extremos e foca em gargalos da saúde

Médica e pré-candidata do PSD ao Palácio Paiaguás defendeu que o eleitor priorizará propostas e não alinhamento ideológico, apontando 'arrefecimento' da polarização de 2022.

A corrida sucessória pelo Governo de Mato Grosso ganhou contornos de debate ideológico e posicionamento de espectro político. A médica e pré-candidata ao Palácio Paiaguás, Dra. Natasha Slhessarenko (PSD) , afirmou categoricamente que a sua aliança formal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não atuará como um entrave ou elemento de rejeição à sua campanha eleitoral, mesmo em um estado com histórico de forte inclinação conservadora e forte ligação com o agronegócio. Em entrevista, Natasha declarou receber com grande "honra" a chancela e o suporte político garantidos pela Federação Brasil da Esperança, bloco composto por PT, PV e PCdoB. “Me sinto muito honrada com esse apoio e não acredito que esse tipo de coisa vá prejudicar” , avaliou a postulante, rebatendo analistas de bastidores que projetavam dificuldades de interlocução de uma chapa de centro-esquerda com o eleitorado do interior do estado. Separação entre conservadorismo, religiosidade e radicalismo Ao destrinchar a radiografia sociopolítica do eleitorado mato-grossense, a médica buscou criar uma linha divisória clara entre o eleitor com valores tradicionais e as franjas radicais que ganharam musculatura nos últimos anos. Natasha buscou identificação com o eleitorado católico ao ressaltar suas próprias convicções pessoais: Valores Pessoais: "A gente tem um Estado conservador, eu tenho algumas posturas também conservadoras, sou uma cristã, sou uma católica fervorosa, mas a gente precisa definir e diferenciar o Estado conservador do extremismo" , ponderou a pré-candidata, alfinetando o comportamento da extrema-direita; Fim da Polarização Aguda: A pré-candidata sustentou que o ambiente político estadual apresenta sinais claros de pacificação se comparado ao termômetro inflamado do pleito de 2022. "Eu sinto um arrefecimento disso. Hoje as pessoas escutam mais. O cidadão precisa entender quem é que vai resolver o problema dele, quem é que vai cuidar de gente" , diagnosticou. Foco em indicadores econômicos versus filas da saúde Na visão estratégica desenhada pelo comitê do PSD, a eleição estadual de outubro será decidida no campo do pragmatismo administrativo e na apresentação de soluções estruturais para a qualidade de vida nos municípios, esvaziando a pauta de costumes. Natasha pontuou que, embora Mato Grosso ostente indicadores macroeconômicos de destaque nacional impulsionados pela balança comercial do agro, o estado ainda falha gravemente no acolhimento social. O principal calcanhar de Aquiles apontado por ela reside na gestão da saúde pública. "Quando a gente fala direita e esquerda, a gente tem que focar naquilo que interessa. Quem é que vai resolver o problema daquela população? Quem é que vai diminuir essas filas enormes que tem aí para exames, para consultas?" , provocou, sinalizando que a sua condição de médica será um dos eixos centrais de sua plataforma de propostas para contrapor a atual gestão estadual. 🔎 O que define uma Federação Partidária no ordenamento jurídico eleitoral brasileiro? No Direito Eleitoral brasileiro (instituído pela Lei nº 14.208/2021), a Federação Partidária é um modelo de união entre dois ou mais partidos políticos que passa a funcionar como se fosse uma única agremiação ao longo de todo o ciclo político. Esse instituto difere drasticamente das antigas coligações proporcionais (que foram extintas). Enquanto as coligações eram alianças puramente temporárias feitas apenas para durar os meses da campanha e obter tempo de TV, a Federação Partidária exige uma associação estável, com programa e estatuto unificados, devendo os partidos permanecerem obrigatoriamente unidos por um prazo mínimo de 4 anos. Isso se aplica tanto na disputa eleitoral quanto na atuação parlamentar dentro das assembleias e do Congresso Nacional. Caso algum partido decida se desfiliar da federação antes do prazo legal de 4 anos, a legenda sofre punições graves, como a perda do direito de utilizar os recursos do Fundo Partidário pelo período restante do ciclo, além de não poder se coligar nas eleições seguintes.