Ofensiva contra garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé impõe prejuízo de R$ 83,6 milhões ao crime organizado
Por Luizão —

Balanço divulgado aponta o impacto de quase 900 ações de fiscalização coordenadas por forças federais e de segurança para expulsar invasores e reprimir a extração de ouro em Mato Grosso.
Uma megaoperação de desintrusão e combate a crimes ambientais na Terra Indígena Sararé , localizada na região oeste de Mato Grosso, alcançou a expressiva marca de R$ 83,6 milhões em prejuízos financeiros acumulados contra as organizações criminosas que financiam a extração ilícita de ouro na reserva. O balanço consolidado foi divulgado após a realização de 897 intervenções e ações de fiscalização tática dentro do território protegido. A mobilização interagências, que reúne os esforços do Ministério dos Povos Indígenas, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ibama, da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional, mantém um cerco rigoroso no perímetro da reserva. O foco principal é paralisar por completo a logística das frentes de exploração mineral, que vinham avançando de forma acelerada sobre as áreas de preservação e provocando severos impactos sociais e ambientais nas comunidades locais. Neutralização de infraestrutura e táticas de camuflagem A expressiva cifra do prejuízo imposto aos garimpeiros ilegais reflete o confisco e a destruição sistemática de maquinários pesados de alto valor agregado, essenciais para a movimentação de terra e filtragem do ouro. Durante as incursões no território profundo da TI Sararé, os agentes federais identificaram estratégias sofisticadas utilizadas pelos invasores para burlar o imageamento por satélite e o patrulhamento aéreo: Bunkers Subterrâneos: As equipes de inteligência localizaram e destruíram 23 bunkers de grandes dimensões escavados na mata. Essas estruturas ocultas possuíam até cinco metros de comprimento e eram utilizadas para esconder escavadeiras hidráulicas (PCs), geradores e motobombas nos períodos de interrupção do trabalho. Desmontagem de Acampamentos: Dezenas de bases logísticas que davam suporte habitacional e de abastecimento de combustível aos operadores das máquinas foram completamente desmanteladas e incendiadas. Fiscalização permanente e responsabilização criminal A coordenação da operação enfatizou que as ações integradas de monitoramento e patrulhamento na Terra Indígena Sararé assumiram um caráter de permanência contínua . O objetivo central do Governo Federal é garantir o reestabelecimento integral do controle territorial e a segurança sanitária e física dos povos originários, impedindo o retorno dos invasores. Paralelamente às ações de campo executadas pelo Ibama e pelas forças policiais, todas as pessoas flagradas ou identificadas participando diretamente da extração de recursos minerais, do financiamento da cadeia logística ou da receptação do ouro ilegal no interior do território protegido responderão a rigorosos inquéritos policiais conduzidos pela Polícia Federal. Os envolvidos serão processados criminalmente por usurpação de bens da União, crimes ambientais e associação criminosa armada.