Operação Falsa Vantagem: assessora de desembargador do TJMT recebia R$ 23 mil
Por Luizão —

Novas informações revelam que a servidora Mhayra Abes, alvo de buscas da Polícia Civil ao lado de advogado, atua no gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva.
Novos desdobramentos sobre a Operação Falsa Vantagem , deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso na manhã desta quinta-feira (25), revelam detalhes sobre o cargo e os vencimentos da servidora pública envolvida no suposto esquema de venda de influência judicial. Mhayra Alves Pacheco Abes atua como assessora jurídica no gabinete do desembargador Juvenal Pereira da Silva, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). De acordo com dados oficiais consultados no Portal da Transparência do Poder Judiciário, Mhayra recebeu na última folha de pagamento uma remuneração total de R$ 23.388,72 . O montante engloba o salário base do cargo de assessoria e uma série de vantagens e indenizações temporárias, tais como auxílio-moradia, auxílio-alimentação e ajuda de custo. O Esquema de R$ 150 Mil e o Racha no Grupo A investigação aponta que a servidora, o advogado Ademir Rosa Gomes e um policial penal (cuja identidade permanece sob sigilo) integravam uma associação desenhada para comercializar facilidades e interferir no andamento de feitos criminais na Capital: A Abordagem: O grupo cobrou R$ 150 mil em dinheiro vivo da família de um detento, prometendo usar o trânsito da assessora técnica para garantir a anulação integral de sua condenação. Quebra de Expectativa: O plano ruiu quando a movimentação processual resultou apenas na redução parcial da pena. Sentindo-se enganados, os familiares do preso passaram a exigir a devolução do dinheiro, gerando desentendimentos internos que chamaram a atenção da Polícia Civil. O Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá expediu cinco mandados de busca e apreensão. Os policiais apreenderam celulares e computadores nas residências dos envolvidos. O delegado Marlon Luz apura se a venda de fumaça e influência no gabinete do TJMT era uma prática habitual e se há outros servidores ou processos comprometidos. Prerrogativas e Silêncio Institucional A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) emitiu nota informando que o Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) acompanhou as buscas nos endereços do advogado Ademir Rosa Gomes para resguardar o sigilo profissional de seus arquivos de trabalho. Os fatos foram encaminhados ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED) para sanções administrativas na carteira da Ordem. Até o momento, a presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e o desembargador Juvenal Pereira da Silva não se manifestaram sobre o caso. 🔎 O que é o Portal da Transparência Pública? Instituído e regulamentado pela Lei de Acesso à Informação (LAI - Lei nº 12.527/2011), o Portal da Transparência é uma ferramenta digital de controle social que obriga órgãos públicos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário a disponibilizarem dados de interesse coletivo na internet. Por meio dele, qualquer cidadão pode auditar em tempo real a aplicação de recursos públicos, processos de licitação, contratos firmados e as folhas de pagamento nominais de servidores, magistrados e agentes políticos. O objetivo é assegurar o princípio constitucional da publicidade, inibir práticas de desvio ou corrupção e garantir a transparência na gestão dos impostos.