Operação Marco Zero contra estupro de vulnerável mira pais, padrastos e criminosos com perfil de 'trabalhadores comuns'

Por Luizão

Operação Marco Zero contra estupro de vulnerável mira pais, padrastos e criminosos com perfil de 'trabalhadores comuns'
Operação Marco Zero contra estupro de vulnerável mira pais, padrastos e criminosos com perfil de 'trabalhadores comuns'

Deflagrada pela Polícia Civil em Mato Grosso e mais dois estados, a ação cumpre 18 mandados de prisão preventiva. Delegado alerta que 80% dos abusos infantis ocorrem no ambiente doméstico.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta segunda-feira (18), a Operação Marco Zero , uma ofensiva de grande escala voltada ao cumprimento de 18 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de estupro de vulnerável. Coordenada pela Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) de Cuiabá, a ação obteve parecer favorável da 27ª Promotoria Criminal e as ordens judiciais foram expedidas pela 14ª Vara Criminal. Por envolver menores de idade, a identidade dos acusados é mantida sob estrito sigilo legal. A operação possui forte concentração na Baixada Cuiabana, com 16 alvos localizados nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande . Além disso, as diligências estendem-se nacionalmente, com mandados sendo cumpridos simultaneamente nos estados de Pernambuco e Mato Grosso do Sul. O perfil invisível do agressor doméstico O delegado titular da Deddica, Ramiro Queiroz, trouxe detalhes alarmantes sobre o perfil dos investigados, ressaltando que muitos são pais, padrastos e homens perfeitamente integrados à sociedade, vistos externamente como cidadãos idôneos e chefes de família. Estatísticas policiais apontam que cerca de 80% dos casos de abuso sexual infantil registrados no Brasil são perpetrados dentro do próprio núcleo familiar por figuras paternas ou padrastos. "Esse crime é cometido entre quatro paredes, é um crime que quase ninguém testemunha. Então, quem sofre, sofre calado", desabafou a autoridade policial. O delegado exemplificou a invisibilidade desse tipo de delito ao relatar uma das capturas do dia: um pai que recebeu voz de prisão logo após retornar de um turno de trabalho noturno, reforçando que, perante a opinião pública e a vizinhança, o suspeito ostentava a fachada de um trabalhador comum. Vulnerabilidade e a importância da denúncia precoce As investigações indicam que o perfil predominante das vítimas compreende meninas com idade entre 8 e 10 anos. Segundo o delegado Ramiro Queiroz, os criminosos tendem a escolher crianças mais novas de forma premeditada, valendo-se do medo e da incapacidade que elas têm de formular uma denúncia estruturada. Muitas dessas vítimas vivem em condições de severa vulnerabilidade socioeconômica e sem uma supervisão familiar atenta. Subnotificação crônica: O comando da Deddica ressalta que o volume de ocorrências que chega formalmente ao conhecimento do Estado representa apenas uma pequena fração da realidade oculta na sociedade. Sinais de alerta: Há uma necessidade urgente de que familiares, educadores e pessoas próximas observem atentamente qualquer alteração súbita de conduta, isolamento ou mudança de comportamento nas crianças. Incentivo ao registro: As autoridades reforçam que as denúncias de abuso devem ser registradas e formalizadas independentemente do tempo decorrido desde o fato criminoso. A deflagração da Operação Marco Zero foi planejada de forma estratégica para coincidir com o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes , instituído no Brasil para mobilizar a sociedade e as instituições de controle na proteção infantojuvenil.